16 janeiro 2026

Altitude e aclimatação fisiológica

Joseph Sidney Weiner

A resposta imediata à falta de oxigênio (anoxia) é o aumento de volume do ar respirado por minuto. Isso se consegue através de inspirações mais rápidas e profundas. Essa reação tem apenas um efeito limitado na melhoria do suprimento de oxigênio; na realidade o aumento de respiração leva à ‘eliminação’ do dióxido de carbono das vias aéreas e, consequentemente, [do] sangue. Esta perda de dióxido de carbono modifica o equilíbrio ácido-base do corpo, controlado homeostaticamente, para um nível mais alcalino – ‘alcalose’. No mal-estar de montanha a anoxia e a alcalose desempenham seu papel. A anoxia se manifesta por cansaço, dor de cabeça, perda de atenção e uma sensação semelhante à da ‘confiança do bêbado’; à medida que a alcalose se desenvolve, surgem náuseas, vômitos e tonturas. Qualquer esforço é acompanhado de um aumento anormal da taxa de pulsação.

Exposições contínuas permitem o desenvolvimento de uma tolerância considerável. Os processos de aclimatação acarretam uma hiperpnéia e a pressão de CO2 no ar alveolar, embora baixa, é maior do que sem o aumento da ventilação. Não obstante a alcalose tem de ser [contrabalanceada], o que é feito pelos rins que excretam uma urina mais alcalina, eliminando assim o excesso de bases e mantendo o pH do sangue em níveis normais. Ao mesmo tempo [em] que as células vermelhas do sangue são formadas em número crescente, o número de hemácias e a concentração de hemoglobina aumentam de modo que a capacidade do sangue em transportar oxigênio é elevada. Há também, provavelmente, um aumento da capacidade dos tecidos para trabalharem a baixas tensões de oxigênio.

A 4.500 m a aclimatação ocorre em cerca de 10 dias. A longo prazo sucedem-se mudanças morfológicas – o tórax se alarga com o aumento de respiração e a capacidade vital se torna maior.

Fonte: Harrison, G. A. & mais 3. 1971 [1964]. Biologia humana. SP, Nacional & Edusp.

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