Sobre a história da ficção
E. L. Doctorow
Quem trocaria a Ilíada pelo relato histórico ‘real’? Claro que o escritor tem uma responsabilidade, seja como intérprete solene ou satirista, de fazer uma composição que sirva como verdade revelada. Mas exigimos isso de todos os artistas criativos, de qualquer mídia. Além disso, um leitor de ficção que depare, num romance, com uma figura pública dizendo e fazendo coisas não relatadas em nenhuma outra parte sabe que está lendo ficção. Ele sabe que o romancista espera usar a mentira para atingir uma verdade maior de uma forma impossível pela reportagem factual. O romance é uma interpretação estética que retrataria uma figura pública assim como um quadro de um pintor. Um romance não é lido como um jornal; é lido como foi escrito, no espírito da liberdade.
Fonte: Wilson, E. O. 2013 [2012]. A conquista social da Terra. SP, Companhia das Letras. Trecho de artigo publicado em 2006.
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