18 março 2025

Penetração

Alex Comfort

Há alguma coisa no fato de ela ter que deixá-lo entrar – não só no seu território ou na sua proximidade, mas realmente no seu próprio corpo. Não há muitas diferenças intrínsecas identificáveis entre homem e mulher, mas esta é uma delas e influencia a mente feminina. No homem, o sexo é exterior, localizado numa península como a Flórida, e ele o faz avançar; na mulher é interno – uma visita ou uma invasão por alguma coisa que lhe é exterior. Isto não quer dizer que as mulheres consideram a cópula uma violação; o fato de ter um homem dentro de si pode ser terno, bom e revigorante, mas para todos os efeitos ele não passa de um intruso, como diriam os advogados.

Estas emoções são complicadas e os homens não as intuiriam facilmente. Sensações positivas ou negativas sobre o ‘ser penetrado’ desempenham um papel bastante importante no padrão das reações reais das mulheres, e algumas feministas convictas sugeriram que os homens deviam deixar-se penetrar pelo menos uma vez, para saberem como é. Temos dúvidas de que isso daria bom resultado – a penetração anal não está realmente programada e não é a mesma coisa.

Um efeito adicional é que as mulheres tendem cada vez mais a encarar o lugar em que vivem como um segundo corpo, enquanto que os homens encaram o deles como um território. O fato de uma mulher detestar convidar alguém para ir ao seu apartamento que dizer alguma coisa – como a mulher que diz: “Ele devia sentir-se feliz comigo, doutor, preparei-lhe uma linda casa, toda acarpetada.” Ela realmente está se referindo ao seu corpo.

Ser profundamente penetrada por um homem que você ama e em quem confia, que a trata como um igual e lhe retribui todo amor, é uma das melhores experiências femininas – marca o fim de ansiedades com relação a quem está penetrando quem. Nesta altura, o pênis é uma propriedade conjunta e muitos dos medos estão resolvidos.

Fonte: Comfort, A. 1987. Mais prazeres do sexo. SP, Martins Fontes.

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