27 fevereiro 2026

Processos erosivos básicos

Antônio José Teixeira Guerra

A erosão do solo é um processo que ocorre em duas fases: uma que constitui a remoção (detachment) de partículas, e outra que é o transporte desse material, efetuado pelos agentes erosivos. Quando não há energia suficiente para continuar ocorrendo o transporte, uma terceira fase acontece, que é a deposição desse material transportado. Os processos resultantes da erosão pluvial estão intimamente relacionados aos vários caminhos tomados pela água da chuva, na sua passagem através da cobertura vegetal, e ao seu movimento na superfície do solo. [...]

A taxa de infiltração, que é o índice que mede a velocidade com que a água da chuva se infiltra no solo [...], exerce importante papel sobre o escoamento superficial. Essa água se infiltra no solo, por força de gravidade e capilaridade, e cada partícula do solo é envolvida por uma fina película de água. Durante um evento chuvoso, os espaços entre as partículas são preenchidos por água, e as forças capilares decrescem. Consequentemente, as taxas de infiltração são mais rápidas no começo da chuva e diminuem até atingir o máximo que o solo pode absorver. Essa taxa máxima é a capacidade de infiltração, que corresponde à condutividade hidráulica saturada do solo. [...]

De acordo com Horton (1945), se a intensidade da chuva for menor do que a capacidade de infiltração do solo, não haverá runoff (fluxo hortoniano). Mas, se a intensidade da chuva exceder a capacidade de infiltração, ocorrerá runoff. Como um mecanismo gerador de runoff, esta comparação entre intensidade da chuva e capacidade de infiltração nem sempre se aplica. Estudos de Morgan (1977), na Inglaterra, em solos arenosos, mostraram que a capacidade de infiltração é maior do que 400 mm/h e que as intensidades de chuva raramente ultrapassam 40 mm/h. Nesse caso, não ocorreria runoff, nesses solos, pois a intensidade da chuva não excede a capacidade de infiltração. Mas, na realidade, o volume médio anual de runoff nessa região inglesa é de 55 mm, e a média anual de chuva é de 550 mm. O fator controlador da produção de runoff, nesse caso, não é a capacidade de infiltração, mas um teor limitante de umidade dos solos, que resulta do encharcamento dos mesmos. Isso explica por que certos solos arenosos, com baixa capacidade de armazenamento capilar, produzem runoff muito rapidamente, mesmo que sua superfície de infiltração não tenha sido excedida pela intensidade da chuva.

Fonte: Guerra, A. J. T. 1998. Processos erosivos nas encostas. In: Guerra, A. J. T. & Cunha, S. B., orgs. Geomorfologia: Uma atualização de bases e conceitos, 3ª ed. RJ, Bertrand.

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