08 agosto 2026

A estrutura invisível

 
Tudo o que o fogo produz é alquimia, quer na retorta,
quer no fogão da cozinha. – Paracelsus [1493-1541].

Ainda em 1730, duzentos anos depois de Paracelsus, os químicos tentaram, com a teoria do flogisto, vestir o fogo com uma última roupagem material. Entretanto, viu-se que a substância flogística, da mesma forma que o princípio vital, não podia ser demonstrada – o fogo não é matéria, e a vida não é matéria. O fogo é um processo, transformação e mudança, através do qual elementos materiais são reagrupados em novas combinações. A natureza das reações químicas só pôde ser entendida quando o fogo foi compreendido como um processo. [...]


Duzentos e cinquenta anos depois do tempo de Paracelsus, um novo elemento foi descoberto, o oxigênio, o que propiciou a explicação da natureza do fogo e arrancou a química do atoleiro da Idade Média. O fato insólito em relação a essa descoberta é que Joseph Priestley não estudava a natureza do fogo quando descobriu o oxigênio; sua inquietação se dirigia a um outro elemento dos gregos, o ar, invisível e onipresente. [...]

Eu gostaria de dizer-lhes que a turba que destruiu a casa de Priestley em Birmingham destroçou o sonho de um belo homem, amável e encantador. Mas receio que isso não seja verdade. Não creio que Priestley fosse amável, não mais do que Paracelsus. Minha suspeita é de que se tratava de um homem difícil, irascível, frio, preciso, afetado e puritano. Mas a escalada do homem não é feita por gente amável. É feita por pessoas que têm duas qualidades: grande integridade e, pelo menos, um pouco de genialidade. Priestley reunia as duas.


Fonte: Bronowski, J. 1979. A escalada do homem. SP, M Fontes & Editora UnB.

1 Comentários:

Blogger Gaspar Alencar disse...

O filme Castelo de Vidro, tem uma frase impactante " como as chamas se dissipam ". Alquimia pura - integridade e genialidade!

8/8/26 13:38  

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