28 outubro 2026

Perdidos na Noite

F. Ponce de León

As massas jamais anseiam pela verdade. Elas se esquivam das evidências que lhes são desagradáveis, preferindo endeusar o erro, caso o erro as seduza. Quem consegue oferecer ilusões facilmente as controla; quem tenta destruir essas ilusões acaba sendo destruído.
– Gustave Le Bon (The Crowd, 1896 [1895]: p. 110).

Ainda que findo o período eleitoral, certos filmes continuam a borbulhar em minha cabeça. Um deles chegou a ganhar duas estatuetas do Oscar em 1970 (Melhor Filme e Melhor Direção), embora não seja uma obra muito lembrada hoje em dia.

Trata-se de um filme inovador, seja pela temática, seja pela abordagem, a ponto de ter sacudido a indústria cinematográfica dos Estados Unidos. Em primeiro lugar, cabe ressaltar que, até a década de 1960, Hollywood impunha a roteiristas e diretores uma cartilha de subserviência ideológica – a subserviência persiste, embora não se restrinja mais a questões políticas ou ideológicas. (Não é à toa que tantos profissionais do cinema europeu ainda hoje desprezem os filmes estadunidenses ou os tratem tão somente como entretenimento infantil.)

Em segundo lugar, estou a pensar no primeiro filme a ganhar o Oscar mesmo tendo recebido o selo X (ou X-rated), categoria em que naquela época ficavam os filmes pornográficos. A classificação foi posteriormente abrandada para R-rated, sendo então liberado para menores de 16 anos (17 anos, a partir de 1970; sobre a classificação de filmes nos EUA, ver aqui), desde que eles estivessem devidamente acompanhados por um dos pais ou responsáveis.

O filme em questão é Perdidos na Noite (Midnight Cowboy, 1969), dirigido por John Schlesinger (1926-2003), laureado com o Oscar de Melhor Direção em 1970. (Outras obras do diretor inglês merecem atenção, incluindo Marathon Man, de 1976, no qual o mesmo Dustin Hoffman [ver adiante] contracena com Laurence Olivier [1907-1989]. Há nesse filme de 1976, aliás, uma famosíssima sequência ambientada, digamos, em um contexto de consultório odontológico – ver aqui.)

Eis uma breve sinopse de Perdidos na Noite (extraída de tv.apple.com):

“Joe [Jon Voight, então com 31 anos] acredita ter um charme irresistível com as mulheres. Um dia, ele decide largar seu emprego de lavador de pratos no Texas e vai para Nova York em busca de uma vida melhor. No entanto, ele acaba descobrindo que as coisas não são tão fáceis como pensava. Joe começa a trabalhar como garoto de programa com a ajuda de seu companheiro, Ratso [Dustin Hoffman, então com 32 anos].”

Uma avaliação crítica do filme (em inglês, mas com legendas) pode ser vista aqui. De resto, a trilha sonora é igualmente digna de elogios, e inclui temas criados pelo premiadíssimo compositor e maestro inglês John Barry [Prendergast] (1933-2011), além de uma versão da canção Everybody’s Talkin’, do cantor e compositor estadunidense Fred Neil [Frederick Ralph Morlock Jr.] (1936-2001), executada por Harry Nilsson [Harold Edward Nilsson III] (1941-1994) – ver aqui e aqui.

* * *

1 Comentários:

Blogger Gaspar Alencar disse...

Meu comentário se restringe a 1a parte ainda sobre política. Não é sobre religião!
Leitura do dia!
Gênesis 15, Bíblia NVI, 2013.
Aliança!
A proposta da Aliança de Deus com Abrão, demonstra em primeiro momento, ouvir! Segundo momento crer! Terceiro momento, dialogar. Quarto momento praticar. Todos estes movimentos não são estáticos, estão recheados de ação.
Se pode até ouvir, mas podemos não escutar. Entendem?
Crer? Como o finito pode crê no invisível? Somente pela fé.
Aqui tá o segredo " dialogar" aqui tá a sabedoria de Deus. Nos levar a uma reflexão sempre. No podcast odisseia proteja sua mente. Na lição 2, peça provas.
No quarto ponto temos o mais difícil - praticar. Aqui nos esquecemos. Que não é decorar ou obedecer cegamente. É pensar refletir como disse Soren Kiekegaard, não é um salto de ingenuidade. E por fim, ignoramos que viver é sacrificial. Mas, queremos conforto. Até o ponto de chegar pagarmos alguém para pensar por nós. Aí reside o perigo!

28/10/26 20:41  

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