Flor carnívora
B. Lopes
A amaríssima flor de teu encanto,
De um magnetismo trágico e pressago,
É um negro lótus de letal quebranto
Sobre as águas mortíferas de um lago.
Sombras, segredos e mistério vago
Há na tua expressão, que punge tanto!
Como que tens coberto o vulgo mago
De um tenebroso e doloroso manto!
Ris, e o teu riso um pavor frio espalha!
Flecha de gelo, que, zunindo, parte
Para fazer de um sonho uma mortalha...
Flor carnívora! Oh! trágica saudade!
Para que vivas, flor, sei que vou dar-te
Todo o sangue de minha juventude.
Fonte: Ricieri, F., org. 2008. Antologia da poesia simbolista e decadente brasileira. SP, Ibep. Poema publicado em livro em 1901.
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