Ó meu coração, torna para trás
Camilo Pessanha
Ó meu coração, torna para trás.
D’onde vais a correr, desatinado?
Meus olhos incendidos que o pecado
Queimou... Voltai horas de paz.
Vergam da neve os olmos dos caminhos.
A cinza arrefeceu sobre o brasido.
Noites da serra, o casebre transido...
– Cismai meus olhos como dois velhinhos...
Extintas primaveras evocai-as:
– Já vai florir o pomar das macieiras,
Hemos de enfeitar os chapéus de maias. –
Sossegai, esfriai, olhos febris.
– E hemos de ir cantar nas derradeiras
Ladainhas... Doces vozes senis... –
Fonte (v. 10): Cunha, C. 1976. Gramática do português contemporâneo, 6ª ed. BH, Bernardo Álvares. Poema publicado em livro em 1920.
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