24 setembro 2007

Sinais diacríticos e transliterações

Umberto Eco

Transliterar significar transcrever um texto adotando um sistema alfabético diferente do original. A transliteração não pretende interpretar foneticamente um texto, mas reproduzir o original letra por letra de modo que seja possível a qualquer um reconstituir o texto em sua grafia primitiva, mesmo conhecendo apenas os dois alfabetos.

Recorre-se à transliteração para a maioria dos nomes históricos e geográficos, como também apara as palavras que não possuem correspondência em nossa língua.

Os sinais diacríticos são sinais que se acrescentam às letras normais do alfabeto para dar-lhes um particular valor fonético. São, pois, sinais diacríticos os nossos acentos comuns (por exemplo, o acento agudo ‘´’ dá ao ‘e’ final da palavra ‘pé’ uma pronúncia aberta), bem como a cedilha, o til e também o trema alemão de ‘ü’ e os sinais menos conhecidos de outros alfabetos: ‘ĕ’ russo, ‘ø’ dinamarquês, ‘ł’ polonês etc.

Numa tese que não seja de literatura polonesa, você poderá, por exemplo, eliminar a barra do ‘ł’: ao invés de escrever ‘Łodz’, escreverá ‘Lodz’, como fazem os jornais. Mas, para as línguas latinas, as exigências costumam ser maiores. Vejamos alguns casos.

Respeitamos, em qualquer livro, o uso de todos os sinais particulares do alfabeto francês. Eles possuem todos um tecla correspondente para as minúsculas, nas máquinas de escrever comuns. Para as maiúsculas, escrevemos Ça ira, mas Ecole, não École, A la reserche, não À la reserche..., porque, em francês, mesmo em tipografia, não se acentuam as maiúsculas.

Respeitamos sempre, quer para as minúsculas quer para as maiúsculas, o uso dos três sinais particulares do alfabeto alemão: ä, ö, ü. E escrevemos sempre ü, não ue (Führer, não Fuehrer).

Respeitamos, em qualquer livro, tanto para as minúsculas como para as maiúsculas, o uso dos sinais particulares do alfabeto espanhol: as vogais com acento agudo e o n com til: ñ.

Quanto às outras línguas, é preciso decidir caso por caso, e, como sempre, a solução será diferente conforme se cite uma palavra isolada ou se faça a tese sobre essa língua específica. [...]

Fonte: Eco, U. 1996 [1977]. Como se faz uma tese, 14ª edição. SP, Perspectiva.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Muito bom

11/11/11 17:35  

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