Unidades de conservação
Maria Cecília Wey de Brito
A pressão sobre os recursos naturais é contínua e intensa. A conservação desses recursos em seu estado natural, e in situ, que é a característica primordial das unidades de conservação, não tem demonstrado com clareza, à população em geral, os benefícios (inclusive econômicos) que pode trazer. O desconhecimento desses benefícios pela sociedade, aliado à baixa performance administrativa das instituições de tutela das unidades (causada principalmente pela falta de clareza das missões e falta de auto-avaliação periódica), ajuda a reforçar a postura do Poder Público de tratar essa questão de forma marginal, principalmente no que se refere à disposição de recursos e definição de outras políticas públicas relacionadas.
Esse tratamento marginal não colabora com a melhoria do desempenho dessas instituições, além de reforçar a dificuldade para o estabelecimento de novas unidades (importantes para se compor com mais igualdade o total de hectares protegidos por biomas). Independentemente da qualidade administrativa que o Poder Público imprime às unidades, a dificuldade do aumento de seu número também é devida ao esgotamento das possibilidades de se encontrar terras de dominío público, em bom estado de conservação e sem ocupação humana, qualidades que se tem buscado privilegiar no estabelecimento de novas unidades. Depreende-se, portanto, a necessidade de se encontrar parceiros sociais, que colaborem com a conservação da biodiversidade.
Todavia, é bem provável que esse padrão permanecerá vigente, não devendo, portanto, ser imediato o seu esgotamento, devido, em grande parte, à própria inércia das instituições do Poder Público. Essas provavelmente continuarão se utilizando, por bom tempo, dos conceitos e metodologias aqui arrolados. E mesmo que fosse possível propor sua imediata revisão, ela esbarraria em sérias dificuldades.
Sugere-se que este padrão tenda ao esgotamento e que se deve proceder à sua revisão, para que avanços alcançados na conservação da biodiversidade não sejam postos em risco.
Fonte: Brito, M. C. W. 1998. Unidades de conservação: intenções e resultados. In: Veiga, J. E., org. Ciência ambiental: Primeiros mestrados. SP, Annablume & Fapesp.

1 Comentários:
Estive no desmatamento e agrotóxicos - fizemos uma conversão para educação ambiental, pesquisa e conversão. No meu entender, um dos fatores é questão da mentalidade do servidor público de carreira, nas três esferas; outro aspecto é a formação gerencial ( não por biólogo, geógrafo e engenheiro agrônomo) que se sabe sobre administração. Além de cursos específicos sobre administração e Manejo de Unidades de Conservação. Se faz necessário estudar filosofia e sobre os povos daquela área afetada pela desapropriação ou convivência. É preciso mudar a visão - tudo não é dinheiro - precisamos mudar o sistema de Licitação ( não podemos ter uma licitação única para todo país) as licitações deveriam ser regionalizadas, e desmistificar que os governos tem dinheiro saindo pelo ladrão. E participação da sociedade do entorno, Além dos conselhos e instituições de ensino fundamental, médio e superior. Por fim, trazer a sociedade para dentro das unidades de conservação, crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos e pessoas com restrição motora ou visual. Com a adoção do monitoramento sistemático na Escala 365X24 e a transformação do método em filosofia com participação social. Sem esquecer do de educação ambiental sistemática. Somos capazes da criação de uma ponte invisível (imaterial) com uma amplitude de percepção social, mas ao mesmo tempo visível. Embricado na alma daqueles que conhecem o trabalho realizado com dedicação, esforço, sabedoria e inteligência. Onde as sintam-se participante da gestão. Concluindo, dizer e saber como dizer a sociedade, o investimento feito por hectares e o custo benefício.
Postar um comentário
<< Home