Televangelistas e o cinismo ilimitado
Joe Schwarcz
Robert Tilton era um dos mais populares televangelistas dos Estados Unidos (pelo menos até que o programa de televisão Primetime Live acabou com ele). O reverendo Tilton rezava por qualquer pessoa que enviasse um pedido por escrito, acompanhado de uma doação para uma de suas obras de caridade. O problema era que a maioria das obras de caridade não existia de fato. O rebanho de Tilton na verdade financiava casas luxuosas, uma lancha caríssima e até uma cirurgia plástica para o pregador. O reverendo não pôde negar as provas, mas deu uma desculpa interessante. Ele lera milhares de pedidos de orações, seu comportamento irracional podia ser atribuído, sem dúvida, às substâncias químicas da tinta em que foram impressos. A cirurgia plástica também foi necessária para corrigir o dano provocado em seu couro cabeludo por essas substâncias químicas. Quando à lancha de 130 mil dólares, ela era necessária para ajudar Tilton a relaxar depois do estresse químico que sofrera.
Fonte: Schwarcz, J. 2009 [1999]. Barbies, bambolês e bolas de bilhar. RJ, Jorge Zahar.

1 Comentários:
Eu, me considero protestante, isto é protesto contra as injustiças sócias, econômicas, políticas e religiosas. Como leigo, analisar as escrituras apenas por uma ótica ou visão podemos cair em erros gravíssimo. Independente de títulos ou glamour e ou projeção midiatica. Um exemplo de lucidez no combate ao nazismo tem Dietrich Bonhoeffer e na América Latina, Ariosvaldo Ramos, mas existem muitos que encontram-se remando contra a maré. No meu entender as escrituras nos instigam o tempo todo a uma reflexão. Existem vários exemplos nesse sentido. O que ocorre é o sistema da exposição dinamizada da palavra e interpretação errada de todos os lados: de doutos ou indoutos. O que passar é apropriação indebita e exploração humana - onde as escrituras não aprovam quem assim procede. Everybody sacou?
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