08 setembro 2026

Mente na biosfera, mente da biosfera

Michael E. Soulé

Digamos que você queira convencer seu sogro a se envolver na conservação – no resgate da biodiversidade. Como você começaria? Iria falar dos genes resistentes a doenças em parentes selvagens das plantas de cultivo agrícola? Mencionaria a provável existência de valiosos elementos de uso farmacêutico ainda não descobertos, falaria de florestas úmidas tropicais e suas taxas de conversão, ou descreveria uma experiência pessoal com a natureza que ainda lhe traz lágrimas aos olhos ou o deixa arrepiado? Ou seja, você apelaria para a inteligência ou para as emoções dele? Os capítulos desta seção podem ajudar a nos dar informações relativas a essa escolha.

Fonte: Soulé, M. E. 1997 [1988]. In: Wilson, E. O., ed. Biodiversidade. RJ, Nova Fronteira.

06 setembro 2026

Pervertidos, fundamentalistas e o serviço público


Assim como o jurista paranaense D. M. Dallagnol (nascido em 1980), o seu colega paulista A. L. A. Mendonça (nascido em 1972) tem dado mostras de que não bate bem da cabeça. Em minha opinião, os dois obviamente carecem de ajuda especializada. Urgentemente.

Na opinião de brasileiros menos condescendentes, porém, já teria passado da hora de os dois serem devidamente punidos por um extenso rol de crimes. Há quem argumente, por exemplo, que eles já deveriam ter ido conversar com o médico francês Joseph-Ignace Guillotin (1738-1814). Outros, no entanto, defendem a ideia de que ambos deveriam tão somente ser trancafiados ou, quem sabe, enviados a Marte.

De minha parte, sou de opinião que os dois ilustram uma terrível deficiência do estado brasileiro: pervertidos morais e fundamentalistas religiosos – sejam de direita, sejam de esquerda – não deveriam ser admitidos no serviço público. Uma vez admitidos, porém, jamais poderiam ocupar algum cargo de mando ou chefia.

03 setembro 2026

Tomorrow never knows

 
Turn off your mind, relax, and float downstream
It is not dying, it is not dying

Lay down all thoughts, surrender to the void
It is shining, it is shining

That you may see the meaning of within
It is being, it is being

Love is all and love is everyone
It is knowing, it is knowing

That ignorance and hate may mourn the dead
It is believing, it is believing

But listen to the colour of your dreams
It is not leaving, it is not leaving

So play the game ‘Existence’ to the end
Of the beginning, of the beginning...

Fonte: álbum Revolver (1966), da banda The Beatles.

01 setembro 2026

Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela

Fernando Pessoa

Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela
E oculta mão colora alguém em mim.
Pus a alma no nexo de perdê-la
E o meu princípio floresceu em Fim.

Que importa o tédio que dentro em mim gela,
E o leve Outono, e as galas, e o marfim,
E a congruência da alma que se vela
Com os sonhados pálios de cetim?

Disperso... E a hora como um leque fecha-se...
Minha alma é um arco tendo ao fundo o mar...
O tédio? A mágoa? A vida? O sonho? Deixa-se...

E, abrindo as asas sobre Renovar,
A erma sombra do voo começado
Pestaneja no campo abandonado...

Fonte (v. 1-2): Cunha, C. 1976. Gramática do português contemporâneo, 6ª ed. BH, Bernardo Álvares. Poema publicado em 1916.

eXTReMe Tracker