Monografias antropológicas
Audrey Richards
As famosas monografias de Malinowski a respeito das ilhas Trobriand foram, certamente, a mais formadora influência sobre os trabalhos dos antropólogos sociais ingleses desde 1922, quando publicou o seu primeiro estudo de campo, até a sua morte, em 1942. A maior parte dos principais antropólogos atualmente na Inglaterra foi treinada por ele, no todo ou em parte, e aí estão incluídos Evans Pritchard, Firth, Fortes, Kaberry, Mair, Nadel, Read, Schapera, assim como também outros que trabalhavam fora da Inglaterra, como Hogbin, Kuper, Oberg, Powdermaker e Monica Wilson. Todos aqueles que, mais tarde, reagiriam fortemente contra ele eram tão influenciados por sua obra como os que permaneceram sempre como seus admiradores. [...]
Malinowski tinha uma forte personalidade e era isso sem dúvida o que chamava atenção para o seu trabalho. Era brilhante, espirituoso, sensível, egoísta e muito dependente da apreciação de seus amigos ou alunos, sem geralmente ser muito leal para com seus adversários. Tornou-se uma figura notável nos centros acadêmicos de Londres nos idos de 1930. Onde quer que dois ou três antropólogos se reunissem para conversar era certo que o assunto se voltaria para Malinowski, sua última teoria, seu bon mot, suas pragas ou excentricidades. É realmente difícil considerar sua fama separada de sua personalidade, pois ele não somente criava emoções positivas ou negativas naquele tempo como também acontece que tudo isso continuou depois de sua morte.
Era um professor brilhante e informal que usava aquilo que chamava de método socrático. Os seus seminários na London School of Economics adquiriram uma reputação internacional e era seu costume dar respostas rápidas e brilhantes em diversas línguas. A forma direta como encarava os assuntos forçava os seus alunos a enfrentarem o problema e exprimirem as suas [essências] com a máxima simplicidade. Os estudantes se sentiam atraídos ou repelidos conforme seus temperamentos, mas eram sempre estimulados. Seus discípulos se inclinavam, nos seus primeiros tempos de professor, no começo da era de 30, por exemplo, a se considerarem como um time atacando as forças da reação que então eram vistas em termos de evolucionismo, difusionismo e a busca de ‘sobreviventes’ nas sociedades atuais.
Fonte: Richards, A. 1971 [1969]. Bronislaw Malinowski (1884-1942). In: Raison, T., org. Os precursores das ciências sociais. RJ, Zahar.

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