02 março 2026

Unidades de conservação

Maria Cecília Wey de Brito

A pressão sobre os recursos naturais é contínua e intensa. A conservação desses recursos em seu estado natural, e in situ, que é a característica primordial das unidades de conservação, não tem demonstrado com clareza, à população em geral, os benefícios (inclusive econômicos) que pode trazer. O desconhecimento desses benefícios pela sociedade, aliado à baixa performance administrativa das instituições de tutela das unidades (causada principalmente pela falta de clareza das missões e falta de auto-avaliação periódica), ajuda a reforçar a postura do Poder Público de tratar essa questão de forma marginal, principalmente no que se refere à disposição de recursos e definição de outras políticas públicas relacionadas.

Esse tratamento marginal não colabora com a melhoria do desempenho dessas instituições, além de reforçar a dificuldade para o estabelecimento de novas unidades (importantes para se compor com mais igualdade o total de hectares protegidos por biomas). Independentemente da qualidade administrativa que o Poder Público imprime às unidades, a dificuldade do aumento de seu número também é devida ao esgotamento das possibilidades de se encontrar terras de dominío público, em bom estado de conservação e sem ocupação humana, qualidades que se tem buscado privilegiar no estabelecimento de novas unidades. Depreende-se, portanto, a necessidade de se encontrar parceiros sociais, que colaborem com a conservação da biodiversidade.

Todavia, é bem provável que esse padrão permanecerá vigente, não devendo, portanto, ser imediato o seu esgotamento, devido, em grande parte, à própria inércia das instituições do Poder Público. Essas provavelmente continuarão se utilizando, por bom tempo, dos conceitos e metodologias aqui arrolados. E mesmo que fosse possível propor sua imediata revisão, ela esbarraria em sérias dificuldades.

Sugere-se que este padrão tenda ao esgotamento e que se deve proceder à sua revisão, para que avanços alcançados na conservação da biodiversidade não sejam postos em risco.

Fonte: Brito, M. C. W. 1998. Unidades de conservação: intenções e resultados. In: Veiga, J. E., org. Ciência ambiental: Primeiros mestrados. SP, Annablume & Fapesp.

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