18 dezembro 2006

Desarmar espíritos

Ademir Antônio Bacca

Há tiros nas ruas de Bagdá e Cabul
enquanto meninos russos correm nus
pelas ruas de Beslan
fugindo de balas perdidas.

De repente
parece que o relógio quebra o tempo
em duas partes,
uma marcando as páginas de jornal
com sangue inocente
a outra, enterrando de vez
nossas esperanças de paz.

Há tiros no Morro da Rocinha
e no subúrbio de Madri
enquanto crianças russas
são enterradas em Beslan
diante de nossos olhos estarrecidos.

Como ousar pronunciar a palavra paz
se não somos capazes de desarmar
nosso espírito de vingança?

Há medo nas ruas de Bagdá e Cabul
enquanto a paz se equilibra
num último fio de esperança em Tel Aviv,
à espera do próximo disparo.

Fonte: poema publicado na antologia Paz – Um vôo possível (2004, Editora Age) e republicado aqui com o devido consentimento do autor, a quem agradeço pela cortesia.

2 Comentários:

Blogger Ademir A. Bacca disse...

felipe,
grato pela publicação do meu poema
no teu blog
grande abraço

18/12/06 23:52  
Blogger Guto Melo disse...

"Como ousar pronunciar a palavra paz se não somos capazes de desarmar nosso espírito de vingança?"

Reflexão aguda, afiada. Lâmina-palavra.

20/12/06 12:02  

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