21 abril 2026

Vila Rica

Olavo Bilac

O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;
Sangram, em laivos de ouro, as minas, que a ambição
Na torturada entranha abriu da terra nobre:
E cada cicatriz brilha como um brasão.

O ângelus plange ao longe em doloroso dobre.
O último ouro de sol morre na cerração.
E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,
O crepúsculo cai como uma extrema-unção.

Agora, para além do cerro, o céu parece
Feito de um ouro ancião que o tempo enegreceu...
A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,

Como uma procissão espectral que se move...
Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu...
Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.

Fonte: Bilac, O. 1985. Poesias. BH, Itatiaia. Poema publicado em livro em 1919.

4 Comentários:

Blogger EU E A MINHA POESIA disse...

Lindo Poema! Parabéns!👏👏👏

21/4/26 17:17  
Blogger EU E A MINHA POESIA disse...

Lindo Poema! Parabéns! Meus aplausos! 👏👏👏 Dilercy Adler

21/4/26 17:18  
Blogger Gaspar Alencar disse...

O poema abri o coração e a mente sem marreta ou bisturi!

21/4/26 18:45  
Anonymous Anônimo disse...

Amo essa poesia! Obrigada

22/4/26 13:22  

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