Instintos selvagens
Ernest Jones
[Evans] – Qual é exatamente a natureza dessas tendências inatas influindo sobre a moralidade social, a que Freud se refere como superego? Devemos acreditar que o homem já nasce com as proibições inerentes, sobre sua existência social?
[Jones] – É difícil provar ou demonstrar coisas desse tipo. Diria que é muito provável, porque não creio que todo o superego venha de pressões externas. Acho que alguma coisa vem de dentro. A criança nasce com impulsos muito mais selvagens do que os que temos quando já somos crescidos. Ela não só tem [de] aprender a controlá-los e guiá-los em certas direções, por razões sociais, mas também por razões pessoais, pois alguns deles são muito prejudiciais a si própria, muito destrutivos para si ou para alguém que ela ama. Em outras palavras, há perigos vindos tanto de dentro quanto de fora; assim, há uma necessidade de controlar, reprimir ou fazer alguma coisa a respeito destes perigos internos. Parece-me muito provável que esse controle seja inato, por razões biológicas de sobrevivência.
Fonte: Evans, R. I. 1979 [1976]. Construtores da psicologia. SP, Summus & Edusp. Trecho de livro originalmente publicado em 1964.
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