O velho angico
Belmiro Braga
A meu irmão Solano Braga
Eu tinha o peito de ilusões provido
na roxa tarde em que nos apartamos
e vi-te, ó velho angico, enflorescido,
pássaros mil cantavam nos teus ramos.
Longo tempo volveu! Nos encontramos
de novo, agora: e vejo-te despido
das verdes folhas e dos gaturamos,
e tu das ilusões me vês descrido.
Paridade cruel de condições
e as nossas vidas como são iguais!...
Para que, pois, fazer comparações:
Folhas e sonhos não nos voltam mais:
– a mim roubou-me o Tempo as ilusões,
e a ti – a verde copa os vendavais.
Fonte: Braga, B. 2011 [1902]. Montezinas (primeiro versos). Juiz de Fora, Funalfa.
0 Comentários:
Postar um comentário
<< Home