Plantas corticeiras
Carlos T. Rizzini & Walter B. Mors
Cortiça vem a ser a casca externa das árvores, composta de células mortas e vazias, isto é, cheias de ar; o tecido que estas compõem chama-se tecnicamente súber ou felema e distingui-se por sua leveza, flutuabilidade, impermeabilidade e elasticidade.
Embora o súber seja um constituinte obrigatório nas plantas de vida longa e crescimento apreciável, apenas algumas chegam a formá-lo em quantidades aproveitáveis pelo ente humano. A principal, para não dizer única, é um carvalho europeu, uma fagáceae denominada Quercus suber L.
O [carvalho-corticeiro] procede da região mediterrânea, sendo objeto de extensíssimo cultivo em Portugal, Espanha, [Argélia], Tunísia, França, Marrocos e mesmo Ásia. Além da cortiça, os frutos (bolotas) são empregados na alimentação de suínos.
A retirada do súber começa ao atingirem as árvores 20 anos, e repete-se esta operação de 9 a 9 anos. O corte é feito de maneira a não ferir a casca interna, onde se acha a zona geratriz (felógeno), de sorte que uma árvore cede muitas colheitas – já que podem alcançar a provecta idade de 500 anos. [...]
Algumas plantas brasileiras exibem súber algo desenvolvido, nunca, porém, aproximando-se da anterior. Principalmente em Minas Gerais, onde são muito dispersas, sofrem aproveitamento industrial em virtude do baixo custo. [...]
Seguem-se as principais espécies corticeiras do Brasil austro-central, onde são comuns; nota-se, todavia, que nem todas merecem a atenção dos coletores.
Kielmeyera coriacea Mart. [...] Agonandra brasiliensis Mart. [...] Pisonia tomentosa Casar [...] Enterolobium ellipticum Benth. [...] Aspidosperma dasycarpon Mart. [...] Connarus suberosus Planch. [...] Fagara cinerea Engl. e Aegiphila lhotskyana Cham. [...] Strychnos pseudoquina St. Hill. [...] Erythrina mulungu Mart. [...] Symplocos lanceolata (Mart.) A. DC.
Fonte: Rizzini, C. T. & Mors, W. B. 1976. Botânica econômica brasileira. SP, EPU & Edusp.
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