Mobilidade da população na fronteira de recursos
Bertha K. Becker
Construída em 1960, a Rodovia Belém-Brasília foi a primeira artéria estabelecida para ligar a Amazônia aos centros dinâmicos do país. Devido à sua extensão, a estrada atravessa espaços diversos, valorizados por diferentes modos de produção na mata e no campo. De Norte para Sul, a partir da cidade de Santa Maria, no Pará, marco Norte da rodovia, sucediam-se a floresta virgem, a savana, com sua pecuária extensiva tradicional, e uma região dinâmica desenvolvida em áreas de antigas matas.
Em Goiás, a rodovia corre sobre o divisor de águas dos rios Araguaia, a Oeste, e Tocantins, a Leste, grande chapadão que constitui o arcabouço do Estado, imprimindo-lhe uma configuração alongada. Esse Estado central é, contudo, bastante diferenciado, representando uma transição entre a Amazônia e as terras altas do Sudeste. Sua porção meridional é constituída por altos planaltos, cuja altitude decresce para o Norte. A curva de nível de 500 m estabelece, grosso modo, o limite entre as terras altas do Sul e a bacia Amazônica. Correspondendo essa curva de nível aproximadamente ao paralelo de 13° de latitude Sul, foi este adotado como limite Sul da Amazônia legal, região criada para fins de aplicação dos programas de desenvolvimento regional.
Fonte: Becker, B. K. 1982. Geopolítica da Amazônia. RJ, Zahar.

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