22 maio 2026

Brasília

Joanyr de Oliveira

A Lúcio Costa

Amorosa e clara,
a cidade
   voa
      com as próprias asas.

Alegorias em pluma,
estátuas no rosto das águas.
Arcos, trevos, o verde.
Eixos geram esperança
na fronte do homem.
O lago ama com os braços,
abarcando o equilíbrio.

A torre afina os tímpanos
e as perfeitas retinas:
canta nas noites a fonte.
Artérias humanas e urbanas
em suas vigílias: áureas
dádivas: o branco, as superquadras.

(O pretérito nos mausoléus,
longe de nossos cânticos.)

Amorosa e clara,
a cidade
   voa
      com as próprias asas.

Fonte: Horta, A. B. 2003. Sob o signo da poesia. Brasília, Thesaurus. Poema publicado em livro em 1998.

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