14 março 2007

Cidade

Sophia de Mello Breyner Andresen

Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes e não vejo
Nem o crescer do mar nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida

E que arrastas pela sombra das paredes

A minha alma que fora prometida

Às ondas brancas e às florestas verdes.

Fonte: Silva, A. C. & Bueno, A., orgs. 1999. Antologia da poesia portuguesa contemporânea. RJ, Lacerda Editores. Poema originalmente publicado em 1944.

2 Comentários:

Blogger Artur disse...

Caro Ponce de León: não conhecia esta poeta (ou poetisa). O poema "Cidade" encantou-me: alia simplicidade e profundidade, além de tratar de uma temática que sempre me interessou. Conheces mais algum poema dela?
Um abraço,
Artur

18/3/07 23:25  
Anonymous edgar lopes disse...

Eu tive a oportunidade de conhecer pessoalmente esta grande poetisa.

22/3/07 07:06  

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