10 dezembro 2006

Silenciosa pergunta

Poh Pin Chin

Quem ainda
terá lembranças
daqui a mil
ou dois mil
anos

das
diminutas
marcas
deixadas pelas cinzas
do teu corpo

ora
esparramadas
no frágil
espelho
d’água

desse
imenso
lago
tão frio
e sereno

após
terem sido
todas elas
varridas
com força

para longe
da palma
distendida
de minha mão
calejada

por
uma brusca
e ruidosa
rajada
de vento
úmido

nessa
acanhada
e silenciosa
manhã
de quase-primavera

que cresce
lentamente
sob
o peso
de tantas
nuvens
cor de chumbo?

5 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

q lindo...gostei demais....ivy

10/12/06 22:46  
Blogger Paulo Roberto de Almeida disse...

Singelo e arrebatador, de fato.
Grande manipulador de palavras...
mas, com sentimento...

10/12/06 23:20  
Anonymous Anônimo disse...

quisera eu viver mil, dois mil, talvez até três mil anos... quisera eu partilhar, comunhar, misturar fragmentos, cinzas milenares, moleculares...
quem sabe? eu não sei.
só sei que amo ler você enquanto aqui estou.

11/12/06 02:52  
Anonymous Anônimo disse...

Faz lembrarmos que somos parte de todos e que a passagem deve ser bem vivida, porque daqui a mil anos seremos somente isso, moléculas rearranjando.

11/12/06 07:36  
Anonymous Anônimo disse...

Bom poema! A tradução tbém ficou mto boa, de quem é?

22/12/06 10:23  

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