07 setembro 2015

A herança da inteligência

Brian W. P. Wells

Se há uma questão na genética comportamental que realmente faz [elevar] a temperatura quando quer que seja mencionada, esse tema é a herança da inteligência. Acima de todos os demais, esse é o assunto que leva as pessoas a se sentirem mais ameaçadas, ou mais preocupadas com a possibilidade de que o ideal igualitário esteja prestes a sofrer um ataque. Por conseguinte, a proposição de que a inteligência é em sua maior parte geneticamente controlada é precisamente a que mais tende a induzir as pessoas a descartarem toda a genética comportamental. As bases para essa rejeição são inúmeras, porém algumas realmente se sobressaem como as mais destacadas e típicas.

Em primeiro lugar, objeta-se que não é verdadeiro que a inteligência tenha qualquer tipo de base genética: ela é, segundo se argumenta, simplesmente uma questão do meio e da oportunidade de aprender. A segunda objeção é a de que não é possível medir a inteligência de nenhuma forma realista; que os testes de inteligência medem apenas a habilidade de efetuar esse tipo de testes, e que os resultados são influenciados, como se pode comprovar, pelas oportunidades ambientais e pela prática naquelas tarefas. Além disso, há os opositores éticos e sociais, que argumentam que, de qualquer maneira, é errado desenvolver pesquisas que visam estabelecer diferenças básicas, e talvez promotoras de cisão, entre indivíduos, grupos e raças. Esse último ponto de vista, diz respeito, principalmente, às maneiras pelas quais os resultados de pesquisa podem ser utilizados por membros irresponsáveis de alguma camada da sociedade, para justificar a exploração ou outro tipo de maus tratos infligidos a outros setores da comunidade.

Finalmente, como se argumenta com freqüência, os estudos sobre o componente genético da inteligência não deveriam ser efetuados de todo, já que têm pouca ou nenhuma utilidade. Em outras palavras, o dinheiro publico simplesmente não deveria ser usado nessa área de pesquisa, pois, caso ficasse provado que a inteligência é em grande parte geneticamente determinada, nenhum efeito prático útil resultaria daí. Por outro lado, se ficasse demonstrado que o componente genético não tem importância, os fundos teriam sido malbaratados num corpo igualmente inútil de conhecimentos.
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Fonte: Wells, B. W. P. 1982. Personalidade e hereditariedade. RJ, Zahar.

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