08 março 2016

Cromossomos e divisão celular

Isaac Asimov

Durante o processo de divisão celular, a cromatina se ajunta em pares de filamentos chamados cromossomos. Como esses filamentos desempenham papel essencial na divisão celular, o processo foi denominado mitose, da palavra grega que significa fio. No momento mais importante, justamente antes de a célula realmente dividir-se, os pares de cromossomos se separam. Um dos componentes vai para um lado da célula em divisão e o outro componente do par vai para o lado oposto. Quando a divisão termina, cada célula nova terá igual número de cromossomos.

Explicado dessa maneira parecerá que cada nova célula terá somente metade do número original de cromossomos. Isso, porém, não acontece: antes da separação dos cromossomos, cada um forma uma réplica de si mesmo (o processo é chamado duplicação). É somente depois dessa duplicação que a célula se divide. Cada nova célula terá, consequentemente, um conjunto completo de pares de cromossomos, conjunto esse idêntico ao que possuía a célula original. Cada nova célula estará pronta para se dividir, no momento em que se repetir o processo de duplicação seguido pela separação dos componentes de cada par.

Uma vez que os cromossomos são tão cuidadosamente conservados na divisão celular e tão cuidadosamente distribuídos entre as novas células, é fácil admitir que são eles que, de uma certa maneira, governam as características e funções das células. Se as células filhas possuem todas as habilidades da célula mãe, é porque elas possuem ou os cromossomos originais do progenitor ou réplicas exatas desses cromossomos.
[...]

Isso é válido para os seres humanos, por exemplo, que começam suas vidas como um óvulo fertilizado, proveniente da união de um óvulo materno com um espermatozoide paterno. O óvulo é a maior célula produzida pelo corpo humano. Apesar disso, seu diâmetro é aproximadamente 0,2 mm, mal podendo ser visto a olho nu.

Numa certa parte desse pequeno corpúsculo estão presentes todos os fatores que representam a contribuição da mãe às características herdadas pela criança. A maior parte do material do óvulo, porém, é alimento, substância inerte, que não é viva. Só o núcleo do óvulo, um corpúsculo realmente minúsculo, é que é a verdadeira parte viva; é ele que carrega os fatores genéticos.

Fonte: Asimov, I. s/d [1962]. O código genético. SP, Cultrix.

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