04 setembro 2011

A libélula

Gustavo Teixeira

Entre os juncos das bordas da lagoa
Onde bebem a fera e a pomba mansa,
Voa a leve libélula, revoa,
E sutilmente sobre as águas dança.

Sem rumo, sobe e desce, gira à toa,
Fixa-se no ar e – alada flecha – avança.
Só quando a terra de astros se coroa,
A dançarina alígera descansa.

Num flexível caniço que a aura entorta
E oscila ao choque de uma folha morta,
Dorme, a sonhar com o lago, que se estrela.

Assim que a noite o lábaro desfralda,
O pirilampo acende em torno dela
Pequeninas auroras de esmeralda...

Fonte: Lenko, K. & Papavero, N. 1979. Insetos no folclore. SP, Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas.

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