21 fevereiro 2026

Microscopy and the cell concept

Charlotte J. Avers

The invention of the first useful compound microscope, which had two lenses to increase total magnification and reduce optical aberrations, is credited to Z. and H. Janssen, an uncle and nephew. Their microscope, which became available in 1590, could magnify an object 30 times its actual size, without loss of resolution. We credit the first significant information gained by using microscopy to Robert Hooke who published his observations in Micrographia in 1665. Hooke noted the occurrence of ‘cells’ or ‘pores’ in various plant tissues, such as cork from the bark of trees […]. Hooke also observed that cells of the other kinds of tissues were filled with ‘juices’, but the the high visibility of the thick cell wall drew his attention most and continued to be the focus for cell studies by biologist for 150-200 years afterward.

Fonte: Avers, C. J. 1976. Cell biology. NY, Nostrand.

20 fevereiro 2026

Luar sobre o canal da Viga


Helen Hyde (1868-1919). Moonlight on the Viga Canal. 1912.

Fonte da foto: Wikipedia.

19 fevereiro 2026

Glicoproteínas

Luiz C. Junqueira & José Carneiro

A substância fundamental intercelular é uma mistura complexa altamente hidratada de moléculas aniônicas (glicoaminoglicanos e proteoglicanos) e glicoproteínas multiadesivas. Esta complexa mistura molecular é incolor e transparente. Ela preenche os espaços entre as células e fibras do tecido conjuntivo e, sendo viscosa, atua ao mesmo tempo como lubrificante e como barreira à penetração de micro-organismos invasores. [...]

Glicoproteínas multiadesivas são compostos de proteínas ligadas a cadeias de glicídios. Ao contrário dos proteoglicanos, é o componente proteico que predomina nestas moléculas, as quais também não contêm cadeias lineares de polissacarídeos formados por unidades dissacarídicas repetidas contendo hexosaminas. Em vez destas, o composto glicídico das glicoproteínas é frequentemente uma estrutura muito ramificada [...].

Várias glicoproteínas já foram isoladas do tecido conjuntivo e viu-se que desempenham um importante papel não somente na interação entre células vizinhas nos tecidos adultos e embrionários, como também ajudam as células a aderirem sobre os seus substratos. A fibronectina é uma glicoproteína sintetizada pelos fibroblastos e algumas células epiteliais. Esta molécula tem uma massa molecular de 222-240 kDa e apresenta sítios de ligação para células, colágenos e glicosaminoglicanos. Interações nestes sítios ajudam a intermediar e a manter normais as migrações e adesões celulares [...]. A laminina é uma outra glicoproteína de alta massa molecular que participa na adesão de células epiteliais à sua lâmina, que é uma estrutura muito rica em laminina.

Fonte: Junqueira, L. C. & Carneiro, J. 2008. Histologia básica. 11ª ed. RJ, Guanabara Koogan.

15 fevereiro 2026

Sobre a história da ficção

E. L. Doctorow

Quem trocaria a Ilíada pelo relato histórico ‘real’? Claro que o escritor tem uma responsabilidade, seja como intérprete solene ou satirista, de fazer uma composição que sirva como verdade revelada. Mas exigimos isso de todos os artistas criativos, de qualquer mídia. Além disso, um leitor de ficção que depare, num romance, com uma figura pública dizendo e fazendo coisas não relatadas em nenhuma outra parte sabe que está lendo ficção. Ele sabe que o romancista espera usar a mentira para atingir uma verdade maior de uma forma impossível pela reportagem factual. O romance é uma interpretação estética que retrataria uma figura pública assim como um quadro de um pintor. Um romance não é lido como um jornal; é lido como foi escrito, no espírito da liberdade.

Fonte: Wilson, E. O. 2013 [2012]. A conquista social da Terra. SP, Companhia das Letras. Trecho de artigo publicado em 2006.

13 fevereiro 2026

O pão

Nuno Guimarães

Não é ainda um seio
mas quase. na brancura.
porém, onda de leite
a branca levedura.

um mecanismo incerto
de ferro e madrugada.
a fome e o excesso
futuros. na seara.

a fome e a carência
de sol(o) para a boca.
não é ainda um campo
de areia ou terra solta.

um campo descampado
um canto com bolor.
é arte que se move
minéria como a água.

engenho de palato.
alvéolo de pulmão.
respira-se o exemplo
de sol. oxigénio

não é ainda um círculo
branco por toda a mesa
manchado na toalha
de sombra e aspereza.

não é ainda uma ave
descendo sobre a pele:
um mecanismo triste
movendo a boca breve.

Fonte: Silva, A. C. & Bueno, A., orgs. 1999. Antologia da poesia portuguesa contemporânea. RJ, Lacerda Editores. Poema publicado em livro em 1970.

12 fevereiro 2026

19 anos e quatro meses no ar

F. Ponce de León

Nesta quinta-feira, 12/2, o Poesia Contra a Guerra completa 19 anos e quatro meses no ar.

Desde o balanço anterior – ‘19 anos e três meses no ar’ – foram publicados aqui pela primeira vez textos dos seguintes autores: George Porter, Jerome Bruner, John D. Isaacs, Jorge Jim, Joseph Sidney Weiner, Leslie C. Aiello, Peter Wheeler, Richard Brautigan, Roderick Hunt e Severo Ochoa. Além de material de autores que já haviam sido publicados antes.

Cabe ainda registrar a publicação de imagens de obras dos seguintes artistas: Bertha Lum, Lilian May Miller e Marie Bracquemond.

10 fevereiro 2026

Um insaciável apetite por holofotes, fama e poder

Felipe A. P. L. Costa

[APRESENTAÇÃO.] – Em 2013, em artigo publicado no Observatório da Imprensa (aqui), apresentei algumas das minhas críticas às barbeiragens profissionais do sr. Richard Dawkins. Em minha opinião, o biólogo britânico há muito havia se convertido em mera celebridade internacional, uma prima-dona da divulgação científica. E o pior: além de cientificamente irrelevantes, seus escritos se mostravam cada vez mais pestilentos e preconceituosos. Na última sexta-feira (6/2/2026), em meio ao burburinho da mídia internacional em torno da divulgação dos arquivos de Epstein (aqui), eu passei a abalizar melhor uma suspeita antiga: também no plano pessoal, Richard Dawkins faz jus ao rótulo de mau caráter (aqui). Sim, trata-se de um canalha. Não é o pior canalha do mundo, mas é um canalha. E canalhas andam em bando, pois costumam se proteger mutuamente. O bando frequentado pelo sr. Dawkins inclui ou incluía gente do calibre de John Brockman (nascido em 1941), agente literário e escritor, e Lawrence [Maxwell] Krauss (nascido em 1954), físico e professor aposentado; além de alguns patetas bastante nocivos, como o comediante Joe [Joseph James] Rogan Jr. (nascido em 1967). Esses personagens foram liderados durante anos, digamos assim, por Jeffrey [Edward] Epstein (1953-2019), espião, multimilionário e criminoso internacional. O cinismo e o modus operandi dessa malta têm sido denunciados por Rebecca Watson (nascida em 1980), escritora e ativista política que conheceu mais de perto todos os fulanos citados (aqui; com exceção de Dawkins, todos os mencionados nasceram nos Estados Unidos). No que segue, reproduzo (com ajustes mínimos) uma segunda versão do meu artigo de 2013; essa versão apareceu no Jornal GGN, em 2018 (aqui).

*

[O artigo completo pode ser lido aqui.]

08 fevereiro 2026

Grama, ovelhas e raposas

Poh Pin Chin

Sempre que as ovelhas
abaixam a cabeça
para saborear a grama,
as raposas – sorrateiras –
trocam de moita.

07 fevereiro 2026

Luar no Monte Fuji


Lilian May Miller (1895-1943). Moonlight on Mt. Fuji. ~1920-9.

Fonte da foto: Wikipedia.

05 fevereiro 2026

All watched over by machines of loving grace

Richard Brautigan

I like to think (and
the sooner the better!)
of a cybernetic meadow
where mammals and computers
live together in mutually
programming harmony
like pure water
touching clear sky.

I like to think
  (right now please!)
of a cybernetic forest
filled with pines and electronics
where deer stroll peacefully
past computers
as if they were flowers
with spinning blossoms.

I like to think
  (it has to be!)
of a cybernetic ecology
where we are free of our labors
and joined back to nature,
returned to our mammal
brothers and sisters,
and all watched over
by machines of loving grace.

Fonte: Brautigan, R. 1967. All watched over by machines of loving grace. São Francisco, Communication Co.

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