15 setembro 2021

As taxas de crescimento seguem a declinar e estão agora abaixo de 0,08%

Felipe A. P. L. Costa [*].

RESUMO. – Este artigo atualiza as estatísticas mundiais a respeito da pandemia da Covid-19 divulgadas em artigo anterior (aqui). No caso específico do Brasil, o artigo também atualiza os valores das taxas de crescimento (casos e mortes). Ambas continuam a declinar. Entre 6 e 12/9, essas taxas ficaram em 0,0744% (casos) e 0,0787% (mortes). Estes são os valores mais baixos desde o início da pandemia. A tendência declinante, claro, não é definitiva nem irreversível. Entre as medidas que podem reverter essa tendência, eu destacaria três: (i) suspender ou afrouxar (ainda mais) as barreiras sanitárias impostas em aeroportos; (ii) suspender ou afrouxar (ainda mais) as medidas sanitárias internas (e.g., permitir grandes aglomerações e tornar facultativo o uso de máscara); e (iii) atrasar (ainda mais) a campanha de vacinação. Mais especificamente, preocupa saber que alguns clubes de futebol (e.g., Cruzeiro e Flamengo) insistem no desrespeito à saúde pública e seguem a pressionar os governantes para que liberem a presença de público nos estádios.

*

Fonte: o artigo completo pode ser lido AQUI.

13 setembro 2021

Smooth operator

Sade Adu

Diamond life, lover boy
He move in space with minimum waste and maximum joy
City lights and business nights
When you require streetcar desire for higher heights

No place for beginners or sensitive hearts
When sentiment is left to chance
No place to be ending but somewhere to start

No need to ask
He’s a smooth operator
Smooth operator, smooth operator
Smooth operator

Coast to coast, LA to Chicago, western male
Across the north and south, to Key Largo, love for sale

Face to face, each classic case
We shadow box and double cross
Yet need the chase

A license to love, insurance to hold
Melt all your memories and change into gold
His eyes are like angels but his heart is cold

No need to ask [...]

Fonte: DVD do filme As loucuras de Dick & Jane (2005), de Dean Parisot. Canção originalmente gravada em 1984.

12 setembro 2021

179 meses no ar

F. Ponce de León

Neste domingo, 12/9, o Poesia contra a guerra completa 14 anos e onze meses no ar.

Desde o balanço anterior – ‘14 anos e dez meses no ar’ – foram publicados aqui pela primeira vez textos dos seguintes autores: Fernanda Bered, Gerôncio Albuquerque Rocha, Jon C. Herron, Oskar Morgenstern, Rodrigo Dias Társia, Scott Freeman & Valdeir Del Conti. Além de outros que já haviam sido publicados antes.

Cabe ainda registrar a publicação de imagens de obras dos seguintes pintores: Edwin Landseer, Étienne Dinet & William Bell Scott.

10 setembro 2021

“Dane-se a saúde pública, eu quero é ganhar o meu dinheiro”

Felipe A. P. L. Costa [*].

Matérias publicadas ontem (9/9) na imprensa (e.g., aqui e aqui) dão conta de que o prefeito de BH, Alexandre Kalil (PSD), teria decidido liberar (de novo) a presença de público em partidas de futebol disputadas na capital mineira.

Segundo o mandatário, outros eventos deverão ser igualmente contemplados nos próximos dias. No caso do futebol, especificamente, a presença de torcedores não deve ultrapassar 30% da capacidade dos estádios. Alega-se ainda que todos os ‘protocolos sanitários’ recomendados pelas autoridades da área de saúde serão adotados.

A julgar pelo conteúdo da matéria ‘Kalil diz que contaminação entre torcedores de eventos-teste foi de 0,1%’, o prefeito teria justificado a sua decisão com base no seguinte raciocínio:

“Tivemos um resultado de 14 mil testes, em que a incidência – segundo os epidemiologistas e o Secretário de Saúde – foi de 0,1%. Isso nos deu uma certa tranquilidade, e nós vamos caminhar, dar passos, brigar, tentar, mas não vamos desistir. A obrigação do poder público é facilitar a vida de todos, e nós sabemos que o futebol é uma parte importante do lazer – como show, como tudo isso é importante para a cultura, para a diversão. É isso que nós temos que fazer.”

Ora, ora, ora.

ANALFABETISMO MATEMÁTICO?

Em primeiro lugar, cabe esclarecer que foram realizados dois ‘eventos-testes’ no Mineirão, dois jogos com a presença de público – Atlético e River Plate, em 18/8, e Cruzeiro x Confiança, em 20/8. O percentual citado pelo prefeito viria desses dois eventos.

Cabe ainda ressaltar que o prefeito de BH é um empresário e um sujeito oriundo do meio do futebol. Mas não parece ser nenhum analfabeto matemático. (Consta que ele teria cursado engenharia – ver aqui.)

Ora, por que então ele estaria a agir como tal? Sim, afinal a ‘justificativa’ reproduzida acima é inconsistente com a ideia de que a presença de público nos estádios (assim como em outros eventos semelhantes) já seria algo seguro.

Para encurtar a história, basta dizer o seguinte: os próprios números citados na matéria – e divulgados pelo próprio prefeito – entram em choque com a afirmativa de que a presença de público nos estádios já não representaria mais um risco à saúde pública.

Ora, se a taxa de propagação da doença nos dois eventos-teste ficou em 0,1%, já temos aí um motivo mais do que suficiente para não permitir a volta do público aos estádios.

Por quê?

Porque 0,1% é o valor atual da taxa de crescimento no número de novos casos na população em geral (ver a figura que acompanha este artigo) – para detalhes, ver o artigo ‘Covid-19 – As taxas de crescimento seguem a declinar e estão agora em 0,1023 (casos) e 0,1062 (mortes)’.

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FIGURA. Comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 11/7 e 5/9/2021. (Para resultados anteriores, ver aqui.) Note que alguns pares de pontos são coincidentes ou quase isso. As retas expressam a trajetória média de cada uma das taxas, além de projetar o comportamento esperado delas até o fim de setembro.

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DENTRO OU FORA DOS ESTÁDIOS: QUAL É A DIFERENÇA?

Veja: Se são adotadas 'medidas rigorosas de prevenção' – como anunciam os defensores da liberação – e, ainda assim, a propagação da doença permanece no mesmo patamar que se observa na população em geral, uma conclusão parece inevitável: as medidas não estão funcionando. Não a ponto de reduzir a taxa de propagação em relação ao valor que se observa no restante da população.

Trocando em miúdos, as aglomerações (ao mesmo por enquanto) servem apenas e tão somente para manter (ou até estimular) a propagação da doença.

Atropelando a racionalidade, o recado que o pessoal envolvido no negócio do futebol (cartolas, patrocinadores, mídia esportiva etc.) está a passar é muito ruim. Algo do tipo: “Dane-se a saúde pública, eu quero é ganhar o meu dinheiro!”

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NOTA.

[*] Há uma campanha de comercialização em curso envolvendo os livros do autor – ver o artigo Ciência e poesia em quatro volumes. Para mais informações ou para adquirir (por via postal) os quatro volumes (ou algum volume específico), faça contato pelo endereço meiterer@hotmail.com. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.

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09 setembro 2021

O monarca do vale


Edwin [Henry] Landseer (1802-1873). The monarch of the glen. 1851.

Fonte da foto: Wikipedia.

06 setembro 2021

Lend your love to me tonight

Peter Sinfield

Lend your love to me tonight
Don’t ask me who or what is right
I have no strength I cannot fight
Just flood my darkness with your light
I need no face I need no name
No martyr’s artificial shame
No crucifix I am not lame
And yet I ache to feel the flame
Arrest the sun and shoot the moon
The lamp of laughter dies too soon
To live reflected in a spoon
Makes it too hard to stay in tune
Believe me.

Unlock the door and unbar the gate
I’ll write I love you on the slate
And while St. Peter’s thieves debate
The price of time I will not wait
Or let the star blind road of fate
Confuse me
Abuse me
Misuse me.

Release my soul release my eyes
A clock unwinds a flower dies
Dishonesty disqualifies
You win the race but lose the prize
A tattered cloak behind the throne
It is unseen it is not known
Behind this face I am alone
I would give everything I own
To touch you...

Just lend your love to me once more
Don’t ask me what I came back for
Just watch the moonlight cross the floor
And as your blood begins to roar
You’ll feel your senses spin and soar
You will become my meteor
Divine and universal whore
Complete me.

Fonte: capa do álbum Works (1977), da banda Emerson, Lake & Palmer.

05 setembro 2021

Domesticação de plantas e genomas

Fernanda Bered

Diversos estudos moleculares, realizados nos últimos anos, têm confirmado as teorias sobre a domesticação de plantas. Os genomas, atualmente, são foco de estudo em grupos de pesquisa no mundo inteiro. Uma questão que é bastante discutida é a variação do tamanho dos genomas vegetais. Em angiospermas, os genomas têm valores extremos de 100 megabases (Mb) em Arabdopsis thaliana e 110.000 Mb em Fritillaria assyriaca. Sabe-se que o aumento do genoma não está diretamente relacionado com a complexidade do mesmo, o que é denominado paradoxo do valor C. O aumento dos genomas pode estar relacionado à poliploidia (ocorrente em aproximadamente 80% das angiospermas), sequências repetitivas e elementos de transposição. Emboras existam essas diferenças em termos de quantidade de DNA, diversos grupos vegetais como as gramíneas conservam uma grande colinearidade (sintenia) entre os seus genomas. Atualmente, estudos moleculares vêm sendo realizados no sentido de mapear comparativamente os genomas vegetais, identificando espécies ancestrais e descendentes. determinando sequências conservadas e contribuindo para estudos evolutivos das diferentes espécies.

Fonte: Bered, F. 2003. In: Freitas, L. B. & Bered, F., orgs. Genética & evolução vegetal. Porto Alegre, Editora da UFRGS.

02 setembro 2021

A teoria dos jogos

Oskar Morgenstern

A analogia entre os jogos de estratégia e o comportamento social e econômico é tão evidente que encontra ampla expressão no pensamento e até mesmo na linguagem dos negócios e da política. Frases como “uma jogada política” ou o “jogo da bolsa” constituem um reflexo familiar do que foi dito. Porém, a relação existente entre os jogos e essas outras atividades não é apenas superficial. Examinadas à luz dos métodos matemáticos modernos, torna-se evidente que muitas das formas de comportamento social e econômico são não só análogas, mas sim idênticas aos jogos de estratégia. Portanto, o estudo matemático dos jogos nos oferece a possibilidade de despejar luz nova e aumentar a precisão no que se refere ao estudo da economia.

Fonte: Carnap, R. et al. 1974 [1968]. Matemáticas en las ciencias del comportamiento. Madri, Alianza.

30 agosto 2021

No ritmo atual, o país irá contabilizar 21,4 milhões de casos e 599 mil mortes até 26/9

Felipe A. P. L. Costa [*].

RESUMO. – Este artigo atualiza as estatísticas mundiais a respeito da pandemia da Covid-19 divulgadas em artigo anterior (aqui). No caso específico do Brasil, o artigo também atualiza os valores das taxas de crescimento (casos e mortes) publicados em outro artigo (aqui). Entre 23 e 29/8, essas taxas ficaram em 0,1183% (casos) e 0,1185% (mortes). São os valores mais baixos desde o início da pandemia. Para fins de projeções, dois cenários são levados em conta. No cenário pessimista, as taxas permanecem nos níveis atuais; no otimista, elas seguem declinando até a última semana de setembro (20-26/9), quando devem ficar abaixo de 0,05%. No primeiro caso, o país irá contabilizar 21.439.831 casos e 598.833 mortes até 26/9; no segundo, 21.178.796 casos e 591.542 mortes. A tendência declinante é uma boa notícia, mas não é definitiva nem irreversível. Entre as medidas que podem reverter tal tendência, eu citaria três: (i) suspender ou afrouxar (ainda mais) as barreiras sanitárias impostas em aeroportos; (ii) suspender ou afrouxar (ainda mais) as medidas sanitárias internas (e.g., permitir grandes aglomerações e tornar facultativo o uso de máscara); e (iii) atrasar (ainda mais) a campanha de vacinação.

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1. UM BALANÇO DA SITUAÇÃO MUNDIAL.

Levando em conta as estatísticas obtidas no fim da noite de ontem (29/8) [1], eis um balanço da situação mundial.

(A) Em números absolutos, os 20 países [2] mais afetados estão a concentrar 77% dos casos (de um total de 216.347.711) e 80% das mortes (de um total de 4.500.291) [3].

(B) Entre esses 20 países, a taxa de letalidade segue em 2,2%. A taxa brasileira segue em 2,8%. (Eis as taxas de outros três países da América do Sul que também estão no topo da lista: Argentina, 2,2%; Colômbia, 2,5%; e Peru, 9,2%.)

(C) Nesses 20 países, receberam alta 149 milhões de indivíduos, o que corresponde a 90% dos casos. Em escala global, 194 milhões de indivíduos já receberam alta [4].

2. O RITMO ATUAL DA PANDEMIA NO PAÍS.

Ontem (29/8), de acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados em todo o país mais 13.210 casos e 298 mortes. Teríamos chegado assim a um total de 20.741.815 casos e 579.308 mortes.

Na comparação com as estatísticas da semana anterior (16-22/8), os números de casos e mortes declinaram.

Foram registrados 170.924 novos casos – uma queda de 17% em relação à semana anterior (206.792). Em números absolutos, é o menor valor desde 2-8/11.

Desgraçadamente, porém, foram registradas 4.781 mortes – queda de 13% em relação à semana anterior (5.469). Foi a semana com menos mortes desde 21-27/12.

3. TAXAS DE CRESCIMENTO.

Os percentuais e os números absolutos referidos acima pouco ou nada informam sobre o ritmo e o rumo da pandemia [5]. Para tanto, sigo a usar as taxas de crescimento no número de casos e de mortes.

Vejamos os resultados mais recentes.

Em comparação com os valores da semana anterior (16-22/8), as médias da semana passada (23-29/8) declinaram.

A taxa de crescimento no número de casos caiu de 0,1444% (16-22/8) para 0,1183% (23-29/8) [6].

A taxa de crescimento no número de mortes, por sua vez, caiu de 0,1367% (16-22/8) para 0,1185% (23-29/8).

Os valores referidos acima são os mais baixos desde o início da pandemia [6, 7].

4. CENÁRIOS E PROJEÇÕES.

Para fins de projeções, dois cenários foram levados em conta.

No cenário pessimista, as taxas permanecem nos níveis atuais – 0,1183% (casos) e 0,1185% (mortes).

No cenário otimista, as taxas seguem caindo (ambas a um ritmo médio de 0,0175% por semana) até a última semana de setembro (20-26/9), quando então devem ficar abaixo de 0,05% (ver a figura que acompanha este artigo).

No cenário pessimista, o país irá contabilizar 21.439.832 casos e 598.833 mortes até 26/9.

No cenário otimista, serão 21.178.796 casos e 591.542 mortes até aquela data.

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FIGURA. Comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 11/7 e 29/8/2021. (Para resultados anteriores, ver aqui.) Note que alguns pares de pontos são coincidentes ou quase isso. As retas expressam a trajetória média de cada uma das taxas, além de projetar o comportamento esperado delas nas próximas quatro semanas.

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5. CODA.

A tendência de declínio observada nas duas taxas (ver a figura que acompanha este artigo) é uma notícia auspiciosa. Não só para a população em geral, mas também para inúmeros profissionais que direta ou indiretamente estão envolvidos na luta contra a pandemia. Uma luta que continua a ser boicotada pelo Palácio do Planalto.

É importante ressaltar, no entanto, que a tendência de declínio não é definitiva nem irreversível.

Entre as medidas capazes de revertê-la – e cuja adoção ainda é defendida por gente míope ou criminosa –, eu citaria três: (i) suspender ou afrouxar (ainda mais) as barreiras sanitárias impostas em aeroportos; (ii) suspender ou afrouxar (ainda mais) as medidas sanitárias internas, como permitir aglomerações (e.g., a volta às aulas ou a volta das torcidas aos estádios) e tornar facultativo o uso de máscara; e (iii) atrasar (ainda mais) a campanha de vacinação [8].

Não custa repetir (mais uma vez): Quanto mais gente estiver a circular ou quanto mais lenta for a vacinação [9], maior será o número de mortes. E mais: maiores serão as chances de que surjam variantes ainda mais infecciosas ou letais.

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NOTAS.

[*] Há uma campanha de comercialização em curso envolvendo os livros do autor – ver o artigo Ciência e poesia em quatro volumes. Para mais informações ou para adquirir (por via postal) os quatro volumes (ou algum volume específico), faça contato pelo endereço meiterer@hotmail.com. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.

[1] Vale notar que certos países atualizam suas estatísticas uma única vez ao longo do dia; outros atualizam duas vezes ou mais; e há uns poucos que estão a fazê-lo de modo mais ou menos errático. Acompanho as estatísticas mundiais em dois painéis, Mapping 2019-nCov (Johns Hopkins University, EUA) e Worldometer: Coronavirus (Dadax, EUA).

[2] Os 20 primeiros países da lista podem ser arranjados em sete grupos: (a) Entre 38 e 40 milhões de casos – Estados Unidos; (b) Entre 32 e 34 milhões – Índia; (c) Entre 20 e 22 milhões – Brasil; (d) Entre 6 e 8 milhões – França, Rússia, Reino Unido e Turquia; (e) Entre 4 e 6 milhões – Argentina, Irã, Colômbia, Espanha, Itália e Indonésia; (f) Entre 2 e 4 milhões – Alemanha, México, Polônia, África do Sul, Ucrânia e Peru; e (g) Entre 1,95 e 2 milhões – Países Baixos.

Olhando para as estatísticas (casos e mortes) mais recentes, certas coisas soam diferentes, mas outras seguem mais ou menos inalteradas. Por exemplo, (i) em números absolutos, os EUA seguem sendo o país com o maior número de novos casos (3,78 milhões nas últimas quatro semanas); (ii) a lista dos cinco primeiros tem ainda os seguintes países: Índia (1,04 milhão de casos), Irã (1,02 milhão), Reino Unido (846 mil) e Brasil (811 mil); (iii) a lista dos países com mais mortes nas últimas quatro semanas é encabeçada pela Indonésia (37,2 mil); em seguida aparecem EUA (24 mil), Brasil (22,6 mil), Rússia (21,7 mil) e México (17 mil); e (iv) além da Indonésia, outros países do sudeste asiático (e.g., Vietnã, Malásia e Tailândia) estão a enfrentar escaladas em suas estatísticas (casos e/ou mortes).

[3] Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, tanto em escala mundial como nacional, ver qualquer um dos três primeiros volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado, vols. 1-5 (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

[4] Como comentei em ocasiões anteriores, fui levado a promover a seguinte mudança metodológica: as estatísticas de casos e mortes continuam a seguir o painel Mapping 2019-nCov, enquanto as de altas estão agora a seguir o painel Worldometer: Coronavirus.

[5] Ouso dizer que a pandemia chegará ao fim sem que uma boa parte da imprensa brasileira se dê conta de que está a monitorar a pandemia de um jeito, digamos, desfocado – além de burocrático e bastante superficial. Para capturar e antever a dinâmica de processos populacionais, como é o caso da disseminação de uma doença contagiosa, devemos recorrer a um parâmetro que tenha algum poder preditivo. Não é o caso da média móvel. Mas é o caso da taxa de crescimento – seja do número de casos, seja do número de mortes. Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, em escala mundial e nacional, ver a referência citada na nota 3.

[6] Entre 19/10 e 29/8, as médias semanais exibiram os seguintes valores: (1) casos: 0,43% (19-25/10), 0,4% (26/10-1/11), 0,3% (2-8/11), 0,49% (9-15/11), 0,5% (16-22/11), 0,56% (23-29/11), 0,64% (30-6/12), 0,63% (7-13/12), 0,68% (14-20/12), 0,48% (21-27/12), 0,47% (28/12-3/1), 0,67% (4-10/1), 0,66% (11-17/1), 0,59% (18-24/1), 0,57% (25-31/1), 0,49%(1-7/2), 0,46% (8-14/2), 0,48% (15-21/2), 0,53% (22-28/2), 0,62% (1-7/3), 0,59% (8-14/3), 0,63% (15-21/3), 0,63% (22-28/3), 0,5% (29/3-4/4), 0,54% (5-11/4), 0,48% (12-18/4), 0,4026% (19-25/4), 0,4075% (26/4-2/5), 0,4111% (3-9/5), 0,4114% (10-16/5), 0,4115% (17-23/5), 0,38% (24-30/5), 0,37% (31/5-6/6), 0,39% (7-13/6), 0,4174% (14-20/6), 0,39% (21-27/6), 0,27% (28/6-4/7), 0,2419% (5-11/7), 0,21% (12-18/7), 0,23% (19-25/7), 0,1802% (26/7-1/8), 0,1621% (2-8/8), 0,14% (9-15/8), 0,1444% (16-22/8) e 0,1183% (23-29/8); e (2) mortes: 0,3% (19-25/10), 0,26% (26/10-1/11), 0,21% (2-8/11), 0,3% (9-15/11), 0,29% (16-22/11), 0,3% (23-29/11), 0,34% (30-6/12), 0,36% (7-13/12), 0,42% (14-20/12), 0,33% (21-27/12), 0,36% (28/12-3/1), 0,51% (4-10/1), 0,47% (11-17/1), 0,48% (18-24/1), 0,48% (25-31/1), 0,44%(1-7/2), 0,47% (8-14/2), 0,43% (15-21/2), 0,48% (22-28/2), 0,58% (1-7/3), 0,68% (8-14/3), 0,79% (15-21/3), 0,86% (22-28/3), 0,86% (29/3-4/4), 0,91% (5-11/4), 0,80% (12-18/4), 0,66% (19-25/4), 0,60% (26/4-2/5), 0,51% (3-9/5), 0,45% (10-16/5), 0,43% (17-23/5), 0,40% (24-30/5), 0,35% (31/5-6/6), 0,4171% (7-13/6), 0,4175% (14-20/6), 0,33% (21-27/6), 0,30% (28/6-4/7), 0,23% (5-11/7), 0,23% (12-18/7), 0,20% (19-25/7), 0,1785% (26/7-1/8), 0,1613% (2-8/8), 0,1492% (9-15/8), 0,1367% (16-22/8) e 0,1185% (23-29/8).

Não custa lembrar: Os valores citados acima são as médias semanais de uma taxa que, por razões metodológicas, está a oscilar ao longo da semana. Para fins de monitoramento, é importante ficar de olho nas taxas de crescimento (casos e mortes), não em valores absolutos. Considere uma taxa de crescimento de 0,5%. Se o total de casos no dia 1 está em 100.000, no dia 2 estará em 100.500 (= 100.000 x 1,005) e no dia 8 (sete dias depois), em 103.553 (= 100.000 x 1,0057; um acréscimo de 3.553 casos em relação ao dia 1); se o total no dia 1 está em 4.000.000, no dia 2 estará em 4.020.000 e no dia 8, em 4.142.118 (acréscimo de 142.118); se o no dia 1 o total está em 10.000.000, no dia 2 estará em 10.050.000 e no dia 8, em 10.355.294 (acréscimo de 355.294). Como se vê, embora os valores absolutos dos acréscimos referidos acima sejam muito desiguais (3.553, 142.118 e 355.294), todos equivalem ao mesmo percentual de aumento (~3,55%) em relação aos respectivos valores iniciais.

[7] Sobre o cálculo das taxas de crescimento, ver referência citada na nota 3.

[8] Quase 63% da população brasileira já foram vacinados com ao menos uma dose – ver ‘Coronavirus (COVID-19) Vaccinations’ (Our World in Data, Oxford, Inglaterra).

[9] Como escrevi em ocasiões anteriores, uma saída rápida para a crise (minimizando o número de novos casos e, sobretudo, o de mortes) dependeria de dois fatores: (i) a adoção de medidas efetivas de proteção e confinamento; e (ii) uma massiva e acelerada campanha de vacinação.

Como também escrevi anteriormente, os efeitos da vacinação só seriam percebidos – na melhor das hipóteses – quando mais da metade dos brasileiros tivesse sido vacinada. (O que só será possível agora no segundo semestre.) De resto, devemos continuar tomando cuidado com as armadilhas mentais que cercam a campanha de vacinação. Três das quais seriam as seguintes: (1) a imunização individual não é instantânea nem nos livra de continuar adotando as medidas de proteção social (e.g., distanciamento espacial e uso de máscara); (2) a imunização coletiva só será alcançada depois que a maioria (> 75%) da população tiver sido vacinada; e (3) a população brasileira é grande, de sorte que a campanha irá demorar vários meses (mais de um ano, talvez).

* * *

29 agosto 2021

Antibióticos: uma perspectiva evolutiva

Scott Freeman & Jon C. Herron

Antibióticos são produtos químicos que matam as bactérias por meio da ruptura de processos bioquímicos específicos. Para pacientes humanos, os antibióticos são drogas que salvam vidas. Para populações de bactérias, porém, os antibióticos são poderosos agentes seletivos. Quando aplicado a uma população de bactérias, um antibiótico rapidamente separa os indivíduos resistentes (os capazes de tolerar a droga) dos susceptíveis (os incapazes). Uma perspectiva evolutiva sugere que os antibióticos devem ser usados judiciosamente, do contrário essas drogas miraculosas podem minar sua própria eficiência.

Fonte: Freeman. S. & Herron, J. C. 2009. Análise evolutiva. 4. ed. Porto Alegre, Artmed.

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