Robôs não mentem
As repetidas e insistentes molecagens e grosserias vistas no debate presidencial promovido pela Band, ontem à noite (18/10), acenderam um sinal vermelho em muitos eleitores indecisos.
Serviram também para escancarar duas coisas: (i) no plano pessoal – crescer em uma família carioca de classe média alta, sob a liderança de um militar frustrado e corrupto, tende a converter as crianças (notadamente os meninos) em adultos mimados, grosseiros e igualmente corruptos; nesse tipo de ambiente familiar, honestidade e boas maneiras parecem ser vistos como sinais de frescura ou fraqueza; e (ii) no plano político – sem propostas concretas para os problemas do país, a extrema direita abusa dos efeitos especiais: mentir, mentir, mentir e, se necessário, mentir berrando ou até espancando o interlocutor; e assim tem sido, seja aqui, seja em outros países.
Veja agora a situação irônica e grotesca em que nós, brasileiros, nos encontramos neste exato momento. Em resposta a uma consulta feita por uma cidadã brasileira, a IA da própria Meta informou o seguinte: “[Flávio Bolsonaro é] um candidato que abertamente defende submeter a política externa, econômica e regulatória brasileira à vontade de Washington e das grandes corporações norte-americanas. Para a Meta, isso é o cenário ideal”.
Soube desse caso da IA hoje (19), lendo artigo de autoria da gentil e bem-educada jornalista mineira Eliara Santana, publicado no sítio do Partido dos Trabalhadores, dias atrás (ver aqui).
CODA.
Ontem à tarde, algumas horas antes do debate, troquei mensagens pelo celular com alguns amigos e colegas. Uma das teses a circular nessas conversas foi mais ou menos a seguinte:
Comparado ao presidente Lula, o candidato do PL é um rascunho mal-acabado de homem, uma figura triste e doente; um morto-vivo com areia até o pescoço. Ele me faz pensar naquele tipo de gente que, quando se vê em uma encruzilhada, no meio de um redemoinho, faz logo um trato e sai correndo pela tangente. Gente que é movida pelo medo, a ambição e o desejo desmedido de ter cada vez mais; gente que já acorda e levanta da cama rangendo os dentes, sem qualquer perspectiva de levar uma vida honesta e honrada.

