Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela
Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela
Que importa o tédio que dentro em mim gela,
E o leve Outono, e as galas, e o marfim,
E a congruência da alma que se vela
Disperso... E a hora como um leque fecha-se...
E, abrindo as asas sobre Renovar,
A erma sombra do voo começado
Pestaneja no campo abandonado...
Fonte (v. 1-2): Cunha, C. 1976. Gramática do português contemporâneo, 6ª ed. BH, Bernardo Álvares. Poema publicado em 1916.