08 abril 2026

Troncos de árvores


Sohrab Sepehri (1928-1980). Obra sem título (integra a série The Tree Trunk). 1972.

Fonte da foto: Wikipedia.

07 abril 2026

How our ancestors tracked their prey

Thomas H. Huxley

[C]onsider that every time a savage tracks his game he employs a minuteness of observation, and an accuracy of inductive and deductive reasoning which, applied to other matters, would assure some reputation to a man of science, and I think we need ask no further why he possesses such a fair supply of brains. In complexity and difficulty, I should say that the intellectual labour of a ‘good hunter or warrior’ considerably exceeds that of an ordinary Englishman.

Fonte (em port.): Sagan, C. 1998 [1996]. O mundo assombrado pelos demônios. SP, Companhia das Letras. Trecho de artigo publicado em 1871.

06 abril 2026

A mão humana: evolução e ontogênese

Kevin Connolly & John Elliott

A mão humana pode ser utilizada para empurrar ou bater em objetos, por exemplo, e não apenas para a locomoção e para a preensão. Os dedos podem ser utilizados para cutucar, para arranhar etc. Basicamente, no entanto, a mão está adaptada para a preensão. Os elementos esqueléticos consistem de três grupos de ossos – as falanges ou ossos dos dedos, os metacarpos ou ossos da mão e os carpos ou ossos do pulso. Os carpos servem como um elo firme, mas elástico, entre os ossos do braço e os ossos da mão. A forma de articulação dos metacarpos com as falanges está estreitamente relacionada com a eficiência e a mobilidade dos dedos. No homem, o polegar tem maior mobilidade do que os dedos em função da natureza da articulação entre os ossos da mão e do punho. A superfície palmar do polegar pode voltar-se para a palma da mão, o que em conjunto com a natureza da articulação carpo-metacarpo resulta na oponibilidade do polegar aos dedos. Esta oposição é a base da mobilidade e da destreza apresentadas pela mão humana.

Fonte: Connolly, K. & Elliott, J. 1981 [1972]. In: N. Blurton Jones, ed. Estudos etológicos do comportamento da criança. SP, Pioneira.

04 abril 2026

Mais clara, mais crua

Geraldo Carneiro

De noite, na rua, em frente ao parque
A minha solidão é sua
Decerto sei que você vaga em qualquer parte
Sob essa vaga lua

De noite alguém decerto te ampara
Por onde hoje você anda
Mas sem olhar sua ciranda louca
Daquele jeito que te desmascara

A noite esconde as cicatrizes
Esconde as carícias e os maus-tratos

Agora, bêbada, você estremece
Como se ainda não soubesse
Em frente à porta desse bar
Em que embarca sob essa vaga lua

E a luz da lua apura a nitidez da marca
Mais nua, mais clara, mais crua

Fonte: versão instrumental da música a
pareceu, sob o título de Palhaço, no álbum Circense (1979), de Egberto Gismonti; a versão integral – e a letra aqui reproduzida – consta do álbum Gozos da alma (2006), de Geraldo Carneiro.

01 abril 2026

Perto muito perto

Helder Moura Pereira

Chego ao pé do limite,
o corpo cansado
traz as setas
do sono e a noite
esconde a alegria.
Onde tudo acontece
passam as imagens,
pressinto as nuvens
sobre os navios, o eco
de sons de aviso.
Como se inquieta
a cabeça tocando outra
na luz atravessada
de luzes. Chego à ponta
dos dedos, à esquina
da memória, adormeço, não
adormeço, canto
para adormecer.
Tudo parte de baixo
para a paisagem
do tecto, alegro-me
porque não é preciso
falar. O que sentes
está aí tão à vista
desaba sobre os olhos
o falso espaço
da casa. E a manhã
perde a luz
que só havia nas palavras.

Fonte: Silva, A. C. & Bueno, A., orgs. 1999. Antologia da poesia portuguesa contemporânea. RJ, Lacerda Editores. Poema publicado em livro em 1986.

30 março 2026

Branco e vermelho, nº 2

Poh Pin Chin


Os raios de sol,
as gotas de chuva;
as montanhas
e a areia do mar.

Tudo tão branco,
tão diminuto, tão pouco, tão breve.

Só a dor é encarnada,
imensa, numerosa, duradoura.

29 março 2026

Itália e Germânia


[Johann] Friedrich Overbeck (1789-1869). Italien und Germania. 1828.

Fonte da foto: Wikipedia.

27 março 2026

Ó meu coração, torna para trás

Camilo Pessanha

Ó meu coração, torna para trás.
D’onde vais a correr, desatinado?
Meus olhos incendidos que o pecado
Queimou... Voltai horas de paz.

Vergam da neve os olmos dos caminhos.
A cinza arrefeceu sobre o brasido.
Noites da serra, o casebre transido...
– Cismai meus olhos como dois velhinhos...

Extintas primaveras evocai-as:
– Já vai florir o pomar das macieiras,
Hemos de enfeitar os chapéus de maias. –

Sossegai, esfriai, olhos febris.
– E hemos de ir cantar nas derradeiras
Ladainhas... Doces vozes senis... –

Fonte (v. 10): Cunha, C. 1976. Gramática do português contemporâneo, 6ª ed. BH, Bernardo Álvares. Poema publicado em livro em 1920.

26 março 2026

A Botânica no Ensino Médio

Fernando Santiago dos Santos

Falar de Botânica é remeter-se a milhares de anos na linha do tempo. As plantas sempre estiveram presentes na vida do homem – se simples remédios a alimentos do dia a dia, e de fornecedoras de lenha e mobília à confecção de navios e utilitários os mais diversos. Embora muitas pessoas não percebam sua importância, as plantas têm presença incontestável e marcante na vida do Homo sapiens.

A história da Botânica é um convite a uma viagem fascinante, onde saberes multifacetados e conhecimentos aparentemente divergentes entre si convergem para pontos comuns. Tentar delimitar uma ‘linha do tempo’ com as principais aquisições e considerações teóricas nesta área do conhecimento não é tarefa fácil.

Nota-se, entretanto, que a abordagem atual do currículo de Botânica no Ensino Médio brasileiro carece de considerações históricas. O que se vê, na prática, é uma tendência à simples memorização de nomes científicos, citações de ‘botânicos famosos’ e um emaranhado de datas e sistemas classificatórios confusos. Tal procedimento parece desmotivar tanto alunos quanto professores, transformando a Botânica, então, em uma seção da Biologia meramente decorativa e destituída de seu real papel histórico na construção do conhecimento biológico.

Fonte: Santos, F.S. 2006. A Botânica no Ensino Médio: Será que é preciso apenas memorizar nomes de plantas? In: Silva, C. C., org. Estudos de história e filosofia das ciências. SP, Editora Livraria da Física.

23 março 2026

Movimentos de massa: deslizamentos em encostas

Nelson Ferreira Fernandes & Cláudio Palmério do Amaral

Dentre as várias formas e processos de movimentos de massa, destacam-se os deslizamentos nas encostas em função da sua interferência grande e persistente com as atividades do homem, da extrema variância de sua escala, da complexidade de causas e mecanismos, além da variabilidade de materiais envolvidos. Neste capítulo, dedicado principalmente aos deslizamentos, desenvolve-se uma abordagem que enfatiza as técnicas de investigação e previsão, bem como o papel desempenhado pelos condicionamentos geológicos e geomorfológicos na sua deflagração, com base em exemplos vivenciados na região sudeste brasileira.

Os deslizamentos são, assim como os processos de intemperismo e erosão, fenômenos naturais contínuos de dinâmica externa, que modelam a paisagem da superfície terrestre. No entanto, destacam-se pelos grandes danos ao homem, causando prejuízos a propriedades da ordem de dezenas de bilhões de dólares por ano. Em 1993, segundo a Defesa Civil da ONU, os deslizamentos causaram 2.517 mortes, situando-se abaixo apenas dos prejuízos causados por terremotos e inundações no elenco dos desastres naturais que afetam a humanidade. Por este motivo, estes constituem objeto de estudo de grande interesse para pesquisadores e planejadores.

Fonte: Fernandes, N. F. & Amaral, C. P. 1996. Movimentos de massa: uma abordagem geológico-geomorfológica. In: Guerra,, A. J. T. & Cunha, S. B., orgs. Geomorfologia e meio ambiente. RJ, Bertrand.

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