10 fevereiro 2026

Um insaciável apetite por holofotes, fama e poder

Felipe A. P. L. Costa

[APRESENTAÇÃO.] – Em 2013, em artigo publicado no Observatório da Imprensa (aqui), apresentei algumas das minhas críticas às barbeiragens profissionais do sr. Richard Dawkins. Em minha opinião, o biólogo britânico há muito havia se convertido em mera celebridade internacional, uma prima-dona da divulgação científica. E o pior: além de cientificamente irrelevantes, seus escritos se mostravam cada vez mais pestilentos e preconceituosos. Na última sexta-feira (6/2/2026), em meio ao burburinho da mídia internacional em torno da divulgação dos arquivos de Epstein (aqui), eu passei a abalizar melhor uma suspeita antiga: também no plano pessoal, Richard Dawkins faz jus ao rótulo de mau caráter (aqui). Sim, trata-se de um canalha. Não é o pior canalha do mundo, mas é um canalha. E canalhas andam em bando, pois costumam se proteger mutuamente. O bando frequentado pelo sr. Dawkins inclui ou incluía gente do calibre de John Brockman (nascido em 1941), agente literário e escritor, e Lawrence [Maxwell] Krauss (nascido em 1954), físico e professor aposentado; além de alguns patetas bastante nocivos, como o comediante Joe [Joseph James] Rogan Jr. (nascido em 1967). Esses personagens foram liderados durante anos, digamos assim, por Jeffrey [Edward] Epstein (1953-2019), espião, multimilionário e criminoso internacional. O cinismo e o modus operandi dessa malta têm sido denunciados por Rebecca Watson (nascida em 1980), escritora e ativista política que conheceu mais de perto todos os fulanos citados (aqui; com exceção de Dawkins, todos os mencionados nasceram nos Estados Unidos). No que segue, reproduzo (com ajustes mínimos) uma segunda versão do meu artigo de 2013; essa versão apareceu no Jornal GGN, em 2018 (aqui).

*

[O artigo completo pode ser lido aqui.]

08 fevereiro 2026

Grama, ovelhas e raposas

Poh Pin Chin

Sempre que as ovelhas
abaixam a cabeça
para saborear a grama,
as raposas – sorrateiras –
trocam de moita.

07 fevereiro 2026

Luar no Monte Fuji


Lilian May Miller (1895-1943). Moonlight on Mt. Fuji. ~1920-9.

Fonte da foto: Wikipedia.

05 fevereiro 2026

All watched over by machines of loving grace

Richard Brautigan

I like to think (and
the sooner the better!)
of a cybernetic meadow
where mammals and computers
live together in mutually
programming harmony
like pure water
touching clear sky.

I like to think
  (right now please!)
of a cybernetic forest
filled with pines and electronics
where deer stroll peacefully
past computers
as if they were flowers
with spinning blossoms.

I like to think
  (it has to be!)
of a cybernetic ecology
where we are free of our labors
and joined back to nature,
returned to our mammal
brothers and sisters,
and all watched over
by machines of loving grace.

Fonte: Brautigan, R. 1967. All watched over by machines of loving grace. São Francisco, Communication Co.

04 fevereiro 2026

DNA to mRNA to protein

Severo Ochoa

The way in which the genetic information stored in DNA is transmitted to the protein making machiney of the cell, so that a specific nucleotide sequence in DNA gives rise to a unique amino acid sequence in the polypeptide chains of proteins, is now fairly well understood. RNA participates in this process as a messenger between the DNA and the protein. DNA directs the synthesis of messenger RNA (mRNA) and this in turn directs the synthesis of protein.

Fonte: Ocho, S. 1975. Protein synthesis and the genetic code. Proceedings of the Royal Institution of Great Britain 48: 63-86.

03 fevereiro 2026

A linguagem é um dínamo

Jerome Bruner

Tenho insistido em que o crescimento mental depende muito do tipo de instrumentos que utilizamos. O homem nasce em estado virtualmente nu, indefeso. Se atentamos no movimento para a frente, dos macacos aos antropoides, dos chimpanzés ao home, encontraremos cada vez menos espcialização em tudo o mais, e mais áreas associativas especializadas no cérebro. A evolução parece ter favorecido as criaturas que nasceram menos bem desenvolvidas, mais próximas do feto. O desenvolvimento humano depende de três tipos de sistemas instrumentais: para manipular, para olhar e para simbolização. Não posso conceber desenvolvimento apenas de dentro para fora. O homem nasce nu e a cultura modela-o.

Piaget foi zoólogo (estudava moluscos) e descreve formas ideais. Eu adoto ponto de vista muito mais pragmático: o maquinismo interno do homem nunca realiza seu potencial, salvo se ligado a alguma coisa. A linguagem humana é um dínamo, capaz de virar o mundo de pernas para o ar, mas só é usada como identificação de campainha de porta, para letreiro.

Se aos quinze anos um jovem tem poderoso conjunto de instrumentos, imagine [onde] estará aos vinte! Só agora estamos chegando ao limiar do conhecimento da gama de educabilidade do homem – a perfectibilidade do homem. Jamais nos havíamos dirigido a esse problema antes.

Fonte: Pines, M. 1975 [1967]. Técnicas revolucionárias de ensino pré-escolar. SP, Ibrasa.

01 fevereiro 2026

Anurofauna tropical

Jorge Jim

A vida dos anfíbios atuais é o resultado de uma longa história, desde a sua origem, entre o Devoniano médio e o superior, há mais de 350 milhões de anos. Os anfíbios foram os primeiros vertebrados a invadir os hábitats terrestres com sucesso. Atualmente, distribuem-se pelo mundo, mas não ocorrem na Antárctica e muitas ilhas oceânicas. A composição de anfíbios que habitam uma determinada área é o resultado [da] longa história biótica, climática e geológica da área.

Atualmente, existem três grupos de anfíbios no mundo: as salamandras, da ordem Caudata, com cerca de 357 espécies; as cobras-cegas, minhocões ou cecílias, da ordem Gymnophiona, com cerca de 163 espécies; e os sapos, rãs e pererecas, da ordem Anura, com cerca de 23 famílias, 302 gêneros e 3.496 espécies. Na América do Sul tropical, existem representantes das três ordens de anfíbios, mas a diversidade de rãs, sapos e pererecas (dez famílias, 91 gêneros e novecentas espécies) excede em muito a das salamandras (uma família, dois gêneros e 24 espécies), e das cobras-cegas ou minhocões (três famílias, dezesseis gêneros e 67 espécies).

Fonte: Jim, J. 2003. Aspectos gerais da anurofauna da região de Botucatu. In: Uieda, W. & Paleari, L. M., orgs. Flora e fauna: Um dossiê ambiental. SP, Editora Unesp.

30 janeiro 2026

Íntimo

Mário Pederneiras

A boa vida é esta:
O sossego normal deste meu quarto
Em luz e paz imerso,
Onde as horas reparto
Entre o – do ganha-pão – rude trabalho
E o Culto do meu Verso,
Que me dá e atesta
A certeza orgulhosa do que valho.

E numa esfera assim, clara e discreta,
Que um bem-estar pacífico resuma,
Ter, como eu tenho, quando leio e escrevo,
O suave enlevo,
De uma
Doce figura feminina e casta
Que, alegremente e carinhosa, arrasta
A vida heróica de mulher de Poeta.

Não que o Poeta seja um mau, um triste
Merecedor de insultos e de apodos,
De ódio e menoscabo...
Nele, ao contrário, só doçura existe,
Mas porque é um pobre diabo
Que sofre mais que todos.

Vive a sonhar cousas suaves,
Venturas, ilusões, pores-de-sol e aves,
Tudo através de uma visão bizarra,
Tudo através de uma impressão amiga...

É a eterna Cigarra
Obrigada a fingir que é a eterna Formiga.

Sonha... E o Sonho para a vida enfática
De agora
Atinge as proporções de um crime ou de um pecado...
Ter ilusões, coitado!
Quando a glória é sentir que sobre nós se escora
Todo o peso burguês da vida prática.

É por isso que o Poeta arrasta a funda
Sorte penosa dos incompreendidos...
Pois apurou demais os seus cinco sentidos
Para ver e sentir a vida que o circunda.

Este é o seu rumo, este é o seu fim,
Nem que tente evitar, não pode ou sabe...
Mas que culpa lhe cabe
Se ele, coitado, já nasceu assim?

Se não merece apodos
Nem ódio ou menoscabo...
Para este tempo que a visão lhe acanha,
Há de ser sempre uma figura estranha,
Um pobre diabo
Que sofre mais que todos.

Fonte (v. 1 e 2): Cunha, C. 1976. Gramática do português contemporâneo, 6ª ed. BH, Bernardo Álvares. Poema publicado em livro em 1912.

29 janeiro 2026

Pipas


Bertha [Boynton] Lum (1869-1954). Kites. 1913.

Fonte da foto: Wikipedia.

28 janeiro 2026

The sun is a nuclear fusion reactor

George Porter

The sun is a nuclear fusion reactor which derives its energy principally from the fusion of hydrogen atoms into helium. This reaction has been going on for about 5 billion years and will continue for about as long again before the fuel begins to run out. The inside temperature is several million degrees but the surface temperature corresponde very approximately to that of a black body at 6,000 ºC. The energy maximum in the radiation which reaches the earth’s surface occurs near the middle of the visible region in the green, as one would expect of a well adapted eye: 40% of the total radiation is in the visible, 51% in the infra-red and 9% in the ultra-violet region below 400 nm.

Fonte: Porter, G. 1975. Life under the sun. Proceedings of the Royal Institution of Great Britain 48: 173-82.

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