30 maio 2021

Segredos da propagação de plantas

Lewis Hill

Sempre que tiver sementes de flores e verduras que você achar que não estão frescas, teste sua viabilidade antes de plantá-las. Conte um certo número de sementes e plante-as em uma bandeja [...]. Depois de mais ou menos uma semana verifique quantas germinaram.

O velho método familiar da ‘boneca de pano’ também funciona bem. Espalhe uma quantidade de sementes sobre uma toalha de pano ou papel ou folhas de jornal umedecidas. Enrole-as, amarre-as com um barbante, e mantenha-as levemente umedecidas a cerca de 20°C. Verifique em uma semana, e continue a verificar, para saber qual a porcentagem de sementes que germinaram e quanto tempo demorou.

Fonte: Hill, L. 1996. Segredos da propagação de plantas. SP, Nobel.

28 maio 2021

Castelo de Caernarfon


Joseph Farington (1747-1821). Caernarvon castle. 1780.

Fonte da foto: Wikipedia.

26 maio 2021

Paleoclimas

Brian Huntley

Já se propôs várias razões para os estudos do paleoclima em relação à preocupação com futuras mudanças climáticas. As mais comumente citadas são:

+ Documentar climas mais quentes ocorridos no passado, capazes de oferecer analogias – os chamados paleoanálogos – de climas mais quentes no futuro, permitindo assim elaborar ‘previsões empíricas’, não só do clima global, mas também de climas regionais no próximo século;

+ Documentar mudanças climáticas ocorridas no passado que, acrescentadas ao clima atual, possam ser usadas para a validação de Modelos de Circulação Global (MCG), e especialmente para testar a confiabilidade de simulações climáticas no caso de combinações de fatores coercivos e/ou condições-limite acentuadamente diferentes dos atuais;

+ Avaliar a sensibilidade do clima global a mudanças verificadas em vários fatores coercivos, especialmente gases-estufa e radiação solar; e

+ Fornecer dados sobre mecanismos, configurações, magnitude e rapidez de mudanças climáticas passadas.

Fonte: Legget, J., ed. 1992. Aquecimento global. RJ, Editora da FGV.

24 maio 2021

Balanço de momento: Um país entregue às baratas?

Felipe A. P. L. Costa [*].

RESUMO. – Este artigo atualiza as estatísticas mundiais a respeito da pandemia da Covid-19 divulgadas em artigo anterior (aqui). No caso específico do Brasil, o artigo também atualiza os valores das taxas de crescimento (casos e mortes). Entre 17 e 23/5, essas taxas ficaram em 0,41% (casos) e 0,43% (mortes) – valores praticamente inalterados em relação aos da semana anterior. A julgar pelos resultados das últimas semanas, o país parece estar confortável (e definitivamente?) entregue às baratas. O que se avizinha não é nada bom: Vamos continuar contabilizando números elevados (e, de resto, absolutamente evitáveis) de casos e mortes até que ao menos 75% da população estejam vacinados. Quando será isso? Em setembro? Em outubro? Em janeiro de 2022? Em 2050?

*

1. UM BALANÇO DA SITUAÇÃO MUNDIAL.

Levando em conta as estatísticas obtidas no fim da manhã desta segunda-feira (24/5) [1], eis um balanço da situação mundial.

(A) Em números absolutos, os 20 países [2] mais afetados estão a concentrar 79% dos casos (de um total de 167.252.896) e 80% das mortes (de um total de 3.465.583) [3].

(B) Entre esses 20 países, a taxa de letalidade segue em 2,1%. A taxa brasileira segue em 2,8%. (Os outros três países da América do Sul que estão no topo da lista ostentam as seguintes taxas: Argentina, 2,1%, Colômbia, 2,6%, e Peru, 3,5%.)

(C) Nesses 20 países, 115,8 milhões de indivíduos receberam alta, o que corresponde a 88% dos casos. Em escala global, 148, 8 milhões de indivíduos já receberam alta [4].

2. O RITMO ATUAL DA PANDEMIA NO PAÍS.

Ontem (23/5), de acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados em todo o país mais 35.819 casos e 860 mortes. Teríamos chegado assim a um total de 16.083.258 casos e 449.068 mortes.

Em números absolutos, ao compararmos com as estatísticas da semana anterior (10-16/5), houve um aumento no número acumulado de casos e uma ligeira queda no de mortes.

Foram registrados 455.783 novos casos – um aumento de quase 3% em relação à semana anterior (442.685). Foi a 25ª semana com mais de 300 mil novos casos – 20 dessas semanas foram registradas em 2021.

Desgraçadamente, foram registradas 13.317 mortes – uma queda inferior a 1% em relação à semana anterior (13.411). Foi a 27ª semana com mais de 7 mil mortes – 19 dessas semanas foram registradas em 2021.

3. TAXAS DE CRESCIMENTO.

Os percentuais e os números absolutos referidos acima pouco ou nada dizem sobre o ritmo e o rumo da pandemia [5]. Para tanto, sigo a usar as taxas de crescimento no número de casos e de mortes.

Vejamos os resultados mais recentes.

Em comparação com os valores da semana anterior (10-16/5), as médias da semana passada (17-23/5) permaneceram praticamente estagnadas (ver a figura que acompanha este artigo).

A taxa de crescimento no número de casos – pela quarta semana consecutiva! – segue estagnada em 0,41% (17-23/5) [6].

Já a taxa de crescimento no número de mortes caiu de 0,45% (10-16/5) para 0,43% (17-23/5) – embora tenha sido bem pequena, esta foi a sexta queda consecutiva, algo que não ocorria desde a primeira semana de novembro (2-8/11) (ver a figura que acompanha este artigo) [6, 7].

*


FIGURA. A figura que acompanha este artigo ilustra o comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 28/6/2020 e 23/5/2021. (Valores acima de 2% não são mostrados.) As médias mais baixas das duas séries (casos e mortes) foram observadas entre 11/10 e 8/11, razão pela qual o período é referido aqui como o ‘melhor mês’. Logo em seguida, porém, note como as duas nuvens de pontos experimentaram rupturas e mudaram de rumo. E note como o apagão que houve na divulgação das estatísticas, na segunda quinzena de dezembro, rebaixou artificialmente as duas trajetórias.

*

4. CODA.

Como escrevi em artigos anteriores, uma saída rápida para a crise dependeria de dois fatores: (i) a adoção de medidas efetivas de proteção e confinamento; e (ii) uma massiva e acelerada campanha de vacinação [8].

Não é o que temos.

E o pior: a julgar pelos resultados das últimas semanas, o país parece estar confortável (e definitivamente?) entregue às baratas. Isso porque a maioria dos governantes resolveu deixar tudo na conta da campanha de vacinação. (Sem falar nos criminosos que seguem a apostar no pior e a remar contra.)

O que se avizinha não é nada bom: Vamos continuar contabilizando números elevados (e, de resto, absolutamente evitáveis) de casos e mortes até que ao menos 75% da população estejam vacinados. Quando será isso? Em setembro? Em outubro? Em janeiro de 2022? Em 2050?

*

NOTAS.

[*] Há uma campanha de comercialização em curso envolvendo os livros do autor – ver o artigo Ciência e poesia em quatro volumes. Para mais informações ou para adquirir (por via postal) os quatro volumes (ou algum volume específico), faça contato pelo endereço meiterer@hotmail.com. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.

[1] Vale notar que certos países atualizam suas estatísticas uma única vez ao longo do dia; outros atualizam duas vezes ou mais; e há uns poucos que estão a fazê-lo de modo mais ou menos errático. Alguns países europeus (e.g., Suécia, Suíça e Espanha) insistem em não divulgar as estatísticas em feriados e fins de semana. A julgar pelo que informam os painéis, o comportamento da Suécia tem sido particularmente surpreendente e vexatório. Acompanho as estatísticas mundiais em dois painéis, Mapping 2019-nCov (Johns Hopkins University, EUA) e Worldometer: Coronavirus (Dadax, EUA).

[2] Os 20 primeiros países da lista podem ser arranjados em seis grupos: (a) Entre 32 e 34 milhões de casos – Estados Unidos; (b) Entre 26 e 28 milhões – Índia; (c) Entre 16 e 18 milhões – Brasil; (d) Entre 4 e 6 milhões – França, Turquia, Rússia, Reino Unido e Itália; (e) Entre 2 e 4 milhões – Alemanha, Espanha (estatísticas não são atualizadas há mais de 48 horas), Argentina, Colômbia, Polônia, Irã, México e Ucrânia; e (f) Entre 1,65 e 2 milhões – Peru, Indonésia, Tchéquia e Países Baixos.

Um comentário adicional: 14 dos 20 países citados acima estão também na lista dos 20 países que mais vacinaram (em números absolutos) a sua população. O Brasil é o quarto da lista (62,7 milhões de doses aplicadas), ficando atrás da China (511 milhões de doses), Estados Unidos (285 milhões) e Índia (193 milhões). A explosão de casos e de mortes na Índia, a propósito, ilustra bem o que é tentar conter a pandemia com base apenas na vacinação: Um pesadelo.

[3] Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março, em escala mundial e nacional, ver os cinco volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

[4] Como comentei no artigo anterior, fui levado a promover a seguinte mudança metodológica: as estatísticas de casos e mortes continuam a seguir o painel Mapping 2019-nCov, enquanto a de altas está agora a seguir o painel Worldometer: Coronavirus.

[5] Arrisco dizer que a pandemia chegará ao fim sem que a maior parte da imprensa brasileira (grande ou pequena; reacionária ou progressista) se dê conta de que está a monitorar a pandemia de um jeito, digamos, desfocado – além de burocrático e bastante superficial. Para capturar e antever a dinâmica de processos populacionais, como é o caso da disseminação de uma doença contagiosa, devemos recorrer a um parâmetro que tenha algum poder preditivo. Não é o caso da média móvel. Mas é o caso da taxa de crescimento – seja do número de casos, seja do número de mortes. Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março, em escala mundial e nacional, ver referências citadas na nota 3.

[6] Entre 19/10 e 23/5, as médias semanais exibiram os seguintes valores: (1) casos: 0,43% (19-25/10), 0,4% (26/10-1/11), 0,3% (2-8/11), 0,49% (9-15/11), 0,5% (16-22/11), 0,56% (23-29/11), 0,64% (30-6/12), 0,63% (7-13/12), 0,68% (14-20/12), 0,48% (21-27/12), 0,47% (28/12-3/1), 0,67% (4-10/1), 0,66% (11-17/1), 0,59% (18-24/1), 0,57% (25-31/1), 0,49%(1-7/2), 0,46% (8-14/2), 0,48% (15-21/2), 0,53% (22-28/2), 0,62% (1-7/3), 0,59% (8-14/3), 0,63% (15-21/3), 0,63% (22-28/3), 0,5% (29/3-4/4), 0,54% (5-11/4), 0,48% (12-18/4), 0,4026% (19-25/4), 0,4075% (26/4-2/5), 0,4111% (3-9/5); 0,4114% (10-16/5) e 0,4115% (17-23/5); e (2) mortes: 0,3% (19-25/10), 0,26% (26/10-1/11), 0,21% (2-8/11), 0,3% (9-15/11), 0,29% (16-22/11), 0,3% (23-29/11), 0,34% (30-6/12), 0,36% (7-13/12), 0,42% (14-20/12), 0,33% (21-27/12), 0,36% (28/12-3/1), 0,51% (4-10/1), 0,47% (11-17/1), 0,48% (18-24/1), 0,48% (25-31/1), 0,44%(1-7/2), 0,47% (8-14/2), 0,43% (15-21/2), 0,48% (22-28/2), 0,58% (1-7/3), 0,68% (8-14/3), 0,79% (15-21/3), 0,86% (22-28/3), 0,86% (29/3-4/4); 0,91% (5-11/4); 0,80% (12-18/4), 0,66% (19-25/4), 0,60% (26/4-2/5), 0,51% (3-9/5), 0,45% (10-16/5) e 0,43% (17-23/5).

Não custa lembrar: Os valores citados acima são médias semanais de uma taxa diária. Outra coisa: para fins de monitoramento, é importante ficar de olho nas taxas de crescimento (casos e mortes), não em valores absolutos. Considere uma taxa de crescimento de 0,5%. Se o total de casos no dia 1 está em 100.000, no dia 2 estará em 100.500 (= 100.000 x 1,005) e no dia 8 (sete dias depois), em 103.553 (= 100.000 x 1,0057; um acréscimo de 3.553 casos em relação ao dia 1); se o total no dia 1 está em 4.000.000, no dia 2 estará em 4.020.000 e no dia 8, em 4.142.118 (acréscimo de 142.118); se o no dia 1 o total está em 10.000.000, no dia 2 estará em 10.050.000 e no dia 8, em 10.355.294 (acréscimo de 355.294). Como se vê, embora os valores absolutos dos acréscimos referidos acima sejam muito desiguais (3.553, 142.118 e 355.294), todos equivalem ao mesmo percentual de aumento (~3,55%) em relação aos respectivos valores iniciais.

[7] Sobre o cálculo das taxas de crescimento, consulte qualquer um dos três primeiros volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado (ver nota 3).

[8] É um erro imaginar que a saída para a crise será pavimentada pela campanha de vacinação, mesmo na hipótese de que ela saía do marasmo em que se encontra. Como alertei em artigos anteriores, os efeitos da vacinação só serão percebidos – na melhor das hipóteses – quando mais da metade dos brasileiros tiver sido vacinada. E tal não ocorrerá antes do segundo semestre. E mais: Devemos tomar cuidado com as armadilhas mentais que cercam a campanha de vacinação. Três das quais seriam as seguintes: (1) a imunização individual não é instantânea nem nos livra de continuar adotando as medidas de proteção social (e.g., distanciamento espacial e uso de máscara); (2) a imunização coletiva só será alcançada depois que a maioria (> 75%) da população tiver sido vacinada; e (3) a população brasileira é grande, de sorte que a campanha irá demorar vários meses (mais de um ano, talvez).

* * *

22 maio 2021

Poema

Afonso Henriques Neto

A paisagem não vale a pena.
Pesa dizê-lo assim tão duramente,
mas o que posso fazer contra os mascarados
que penetraram os altos muros
e agora coabitam os aposentos desolados?
Já não vale a pena a manhã.
Os embuçados chegaram em surdina
e foram destroçando todos os pilares,
todas as primaveras, as lúcidas esperanças,
vultos tão horrendos que paralisaram o dia.
A noite não significa mais nada.
As casas dormem e não significam nada.
O vento cortou-se em mil fatias de desespero.
Que dimensão canta além da treva,
a face repousada, os olhos claros?

Fonte: Hollanda, H. B., org. 2001 [1976]. 26 poetas hoje, 4ª ed. RJ, Aeroplano. Originalmente publicado em livro em 1972.

20 maio 2021

Los hechos no hablan nunca por sí mismos

Sally R. Binford & Lewis R. Binford

Si la exacta descripción de los antiguos modos de vida es uno de los objetivos de la prehistoria, el trabajo del arqueólogo consiste entonces en explicar las variaciones que encuentra. Sin embargo, la explicación supone a formulación y comprobación de una hipótesis más que la simple afirmación del significado que se atribuye a las diferencias y similitudes. Muchos investigadores tradicionales hablan de ‘leer la crónica arqueológica’, sosteniendo que los hechos hablan por sí mismos y expresando una profunda desconfianza por la teoría. Los hechos no hablan nunca por sí mismos y los hechos arqueológicos nos están mejor articulados que los de la física o la química. Ya es hora de que la prehistoria utilice procedimientos científicos serios para interpretar sus datos. Las migraciones y las invasiones, en innato deseo humano de la autosuperación, la relación entre el tiempo de ocio disponible y las bellas artes y la filosofía, así como muchos otros estériles clichés, continúan apareciendo con increíble frecuencia en los escritos especializados sobre prehistoria. Esta pasará a ser un campo más fructífero de estudio, sin duda alguna, cuando se considere al hombre como componente de un ecosistema, componente portador de cultura, ciertamente, pero cuya conducta se pueda también determinar racionalmente.

Fonte: Binford, S. R. & Binford, L. R. 1975. In: Scientific American. Biología y cultura. Madri, H Blume. Excerto de artigo publicado originalmente em 1969.

17 maio 2021

Um retrato


Thomas Lawrence (1769-1830). Wilhelmina Bowlby (1798–1834). C. 1825.

Fonte da foto: Wikipedia.

15 maio 2021

O que limita a população?

Samuel Johnson

A Rússia sendo mencionada como provável de tornar-se um grande império, dado o rápido aumento da população. JOHNSON: – “Ora, meu Senhor, eu não vejo perspectivas de se propagarem mais. Eles não podem ter mais filhos que os que podem gerar. Não conheço modo algum capaz de fazê-los gerar mais do que geram. Não é movido pela razão ou pela prudência que as pessoas se casam, e sim por inclinação. Um homem é pobre; pensa: “Não poderia estar pior; tomarei Peggy”. BOSWELL: – “Mas as nações não são mais populosas em certos períodos?”. JOHNSON – “São, sim, senhor; mas isso é devido à população ser menos densa num período que em outro, seja em virtude das emigrações, das guerras ou da peste, não por ser mais ou menos prolífica”.

Fonte: Hardin, G., org. 1967. População, evolução & controle da natalidade. SP, Nacional & Edusp. Excerto de livro publicado em 1769.

13 maio 2021

Teus olhos

Ives Gandra Martins

Teus olhos são imensos lodaçais
No fundo dos grandes lagos,
São os musgos seculares
Dos troncos parasitados.

E o canto enferrujado
Das ferrugens de portões,
No silêncio dos jardins,
Boia, mudo, por teus olhos.

Imensos lodaçais estagnados,
Passados, repassados, trespassados,
Os séculos dos lagos,
Lagos grandes,
Ouvindo a eternidade,
Estagnados.

Os musgos seculares remontando
Enormes árvores, que o tempo encurva,
Os musgos se infiltrando,
Varando e revarando
Os troncos engrossados,
Pelas árvores.

E os teus olhos,
Cor de musgos,
Cor de imensos lodaçais,
Estagnando o lago dos meus olhos,
Parasitando o tronco de meu corpo,
Cantam o canto enferrujado
Das ferrugens dos portões.

Eis minha canção de sempre,
A canção verde marrom
Da conquista e da indolência,
Cujo som soa silente,
Por teus olhos, cor de musgos,
Cor de imensos lodaçais,

Onde adormecidas, boiam
As ferrugens dos portões.

Fonte (v. 32, 34-35): Nejar, C. 2011. História da literatura brasileira. SP, Leya. Poema publicado em livro em 1995.

12 maio 2021

14 anos e sete meses no ar

F. Ponce de León

Nesta quarta-feira, 12/5, o Poesia Contra a Guerra completa 14 anos e sete meses no ar.

Desde o balanço anterior – ‘14 anos e meio no ar’ – foram publicados aqui pela primeira vez textos dos seguintes autores: Claus G. Keidel, David Krech, David M. Raup, Hermann Flohn, John Taylor, Jurema S. A. Dias e Valéria S. Bezerra. Além de outros que já haviam sido publicados antes.

Cabe ainda registrar a publicação de imagens de obras dos seguintes pintores: Marie Spartali Stillman, Phoebe Anna Traquair e Thomas Phillips.

10 maio 2021

Bananeiras doentes

Valéria S. Bezerra & Jurema S. A. Dias

A banana é uma das frutas mais consumidas no mundo. [N]o Brasil, ocupa o segundo lugar no ranking das fruteiras tropicais em volume de produção (6,8 milhões t), perdendo apenas para a cultura da laranja (17,9 milhões t). A região Norte contribuiu no ano de 2005 com 1,1 milhão t de frutos e o estado do Amapá com 2,6 mil t de frutos.

A doença conhecida como sigatoka-negra (Mycosphaerella fijiensis Morelet) está se disseminando por todo o território brasileiro, nos estados do Amazonas, Pará, Roraima, Amapá, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É considerado um dos principais problemas fitossanitários da cultura no estado, comprometendo totalmente a qualidade e a quantidade de banana produzida. A planta atacada pela doença apresenta uma destruição precoce de suas folhas, alterando o processo de fotossíntese e consequentemente a maturação dos frutos, tornando-os prematuros e em casos extremos, amarelecendo antes do ponto de colheita, comprometendo totalmente o volume de produção. Os cachos se apresentam pequenos, com número de pencas menores, bananas menores e disformes, com a polpa cremosa e de sabor ligeiramente ácido.

A maioria das variedades comerciais de bananeiras cultivadas no Amapá é suscetível à doença. Uma das soluções viáveis é a utilização de materiais resistentes, tendo sido recomendados os cultivares Caipira, Thap Maeo, FHIA-01, FHIA-02, FHIA-03, FHIA-18, FHIA-20, FHIA-21, Figo, Ouro e Pelipita para as condições amazônicas, sendo que os cultivares Caipira, Thap Maeo, FHIA-01, FHIA-18 e PV03-44 foram recomendadas para as condições do estado do Amapá.

A escolha da variedade pelo produtor é conseqüência de alguns atributos dos frutos destas variedades como: sabor, vida útil e aparência, sendo que alguns destes atributos estão relacionados a algumas características intrínsecas dos frutos. Os cultivares resistentes recomendados possuem toda uma caracterização agronômica, mas as informações sobre as características físico-químicas de seus frutos são muito incipientes. Este estudo teve por objetivo avaliar as características físico-químicas de frutos de bananeiras resistentes à sigatoka-negra nas condições do estado do Amapá.

Fonte: Bezerra, V. S. & Dias, J. S. A. 2009. Avaliação físico-química de frutos de bananeiras. Acta Amazonica 39: 423-8.

08 maio 2021

Uma cientista


Thomas Phillips (1770-1845). Mary Somerville. 1834.

Fonte da foto: Wikipedia.

06 maio 2021

Em direção a uma nova física

John Taylor

O nosso problema com a gravidade é que Einstein, quando introduziu a ideia de que a gravidade era a curvatura do espaço e do tempo, fez um trabalho demasiado bom. Ele tornou a gravitação tão elegante que ela tinha de funcionar daquela maneira – que é mais bonita do que a gravitação ser apenas espaço-tempo curvo! Deixe-me auxiliar com uma imagem o que isto significa. Imagine estar a jogar bilhar numa mesa de bilhar plástica. Se colocar uma grande e pesada bola preta sobre a mesa, ela faz baixar o tampo desta e obtém-se aí uma curvatura que pode ser encarada como a força gravitacional em torno da bola grande. Uma bola de bilhar mais pequena efectua então uma trajetória curva perto da bola grande, como se fosse atraída para ela – isto é gravidade.

Fonte: Taylor, J. 1989 [1986]. Em direcção a uma nova física. In: Rose, S. & Appignanesi, L., orgs. Para uma nova ciência. Lisboa, Gradiva. O autor do artigo de onde o excerto acima foi extraído é o físico britânico John [Gerald] Taylor (1931-2012), não o matemático e físico estadunidense John [Robert] Taylor (nascido em 1939).

05 maio 2021

O registro fanerozoico da extinção

David M. Raup

A vida complexa como a conhecemos se estabeleceu firmemente na Terra perto do fim do período Pré-Cambriano e no início do período Cambriano. O aumento exponencial na diversidade de organismos multicelulares veio depois de quase três bilhões de anos de uma evolução extremamente vagarosa de organismos menores e mais simples. [...]

Seguindo-se à diversificação inicial, a extinção de espécies foi e continuou sendo tão comum como a sua criação. A duração média das espécies era geralmente de menos de 10 milhões de anos, e a composição biológica da Terra, pelo menos em nível de espécies, mudou completamente muitas vezes. O período fanerozoico incluiu várias perturbações profundas: as extinções em massa. A mais séria delas, perto do fim do período Permiano (250 milhões de anos atrás), eliminou cerda de 52% das famílias de animais marinhos então existentes e teve efeitos significativos, porém menores, sobre as plantas e os organismos terrestres.

Fonte: Raup, D. M. 1997 [1988]. In: Wilson, E. O., ed. Biodiversidade. RJ, Nova Fronteira.

03 maio 2021

Recorde

Gil de Carvalho

À mesa dos cafés, a carne.
Quase nua, palpita dentro
De pequenos cronómetros.
Recorda, dia a noite, que
Afinal os obstáculos perduram
Sempre no interior da chama.
Que o Eterno vacila sobre a cama
Destes animais litúrgicos, votados
Que somos – ao amor, à morte, ao abandono.

Fonte: Silva, A. C. & Bueno, A., orgs. 1999. Antologia da poesia portuguesa contemporânea. RJ, Lacerda Editores. Poema publicado em livro em 1998.

01 maio 2021

Estratificação da atmosfera

Claus G. Keidel

Já em 1898 se pôde demonstrar a estratificação da atmosfera, graças aos balões providos de instrumentos. Esses balões indicavam que a queda da temperatura com o aumento da altitude, denominado também gradiente térmico, era de aproximadamente 0,5 °C a cada 100 m de altitude. Passados os 12.000 m de altitude, a temperatura cai com maior rapidez até alcançar os –55 °C, quando então permanece constante. Este fato demonstrou que a atmosfera terrestre não é homogênea, razão pela qual a camada inferior foi denominada troposfera, enquanto a superior recebeu o nome de estratosfera. Posteriormente, foram descobertas mais outras camadas, distinguindo-se na atualidade quatro camadas atmosféricas sobrepostas.

Fonte (tradução livre): Keidel, K. G. 1981 [1980]. Pequeno guia de meteorología. Barcelona. Omega.

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