31 dezembro 2025

A world for biological sophisticates

Thomas E. Lovejoy

Belém, the Amazon’s port city, lies but 3½ hours from Miami, but seems as remote as if the journey were possible only by sail. Even to me as a naturalist, the Amazon seemed remote when, in 1965, it was first suggested that I visit. Only then did I really register that such a city existed, let alone that it dated from 1616 and contained half a million people. I felt embarrassed to be so unaware.

All tropical forests seem touched with this perception of remoteness, even more than the savannahs of Africa with all their great mammals. In large part this is because tropical forests are a world for biological sophisticates, a world the wonders of which only become apparent with considerable patience and background.

Fonte: Forsyth, A. & Miyata, K. 1984. Tropical nature. NY, Scribners.

30 dezembro 2025

Sociabilidade e autoconsciência

Yanyu Lei

Interações sociais, como colaboração, desentendimento, relações familiares e amizade, oferecem mais desafios cognitivos do que problemas físicos, como caçar alimentos de forma independente. Por isso, os animais sociais estão expostos a mais oportunidades de desenvolvimento cognitivo do que os solitários, que interagem mais frequentemente com desafios físicos menos desafiadores. À medida que uma espécie se torna cognitivamente mais avançada, devido ao seu ambiente social, o mesmo se dará com a sua capacidade de enfrentar sociedades mais complexas, o que, por sua vez, eleva suas capacidades cognitivas, contribuindo para a coevolução entre a complexidade cognitiva e a social. Isso proporciona às espécies sociais maiores capacidades cognitivas e, portanto, uma maior probabilidade de desenvolver autoconsciência.

Fonte (ing.; trad. livre): Lei, Y. 2023. Sociality and self-awareness in animals. Frontiers in Psychology 13: 1065638.

29 dezembro 2025

Cândido

M. de Voltaire

Se este é o melhor dos mundos, então como serão os outros?

Fonte: Lifton, RJ. 1989. O futuro da imortalidade. SP, Trajetória Cultural. Frase extraída de livro publicado em 1758. M. de Voltaire é pseudônimo de François-Marie Arouet (1694-1778).

27 dezembro 2025

Dilema obstétrico, parto assistido e a profissão mais antiga do mundo

Felipe A. P. L. Costa

Partos em momentos inesperados ou em situações inusitadas (e.g., dentro de um carro) ocorrem com alguma frequência. Em 4/12/2025, por exemplo, uma mulher deu à luz deitada no chão de uma loja de artigos infantis, em Recife. As imagens do ocorrido, capturadas por câmeras de segurança da loja, tiveram uma ampla repercussão e ainda estão a circular nas redes sociais. A julgar apenas pelas imagens, o trabalho de parto parece ser algo simples, rápido e seguro. Não é bem assim. Em 2023, segundo a OMS, 260 mil mulheres morreram em decorrência de complicações relacionadas à gravidez, incluindo complicações durante o parto. Em todo o mundo, riscos mais elevados de morte durante a gravidez estão associados a dificuldades no acesso aos serviços públicos de saúde. Durante o parto, ainda segundo a OMS, a presença de um profissional treinado (e.g., uma parteira) tem um impacto positivo em 99% dos casos.

[Para ler o artigo completo, clique aqui.]

* * *

25 dezembro 2025

Teótoco de Vladimir


Andrei Rublev (1360-1430). Vladimirskaya Bogoroditse. 1408.

Fonte da foto: Wikipedia.

21 dezembro 2025

Passos

Heleno Godoy

Era um
barulho
na areia.
Um batalhão
de pés
marchando.
Um ondear
sonoro
de galhos
quebrados
e terra
pisada.
Uma floresta
de folhas
que estavam
sendo carregadas.

Era um
formigueiro.

Fonte: Lenko, K. & Papavero, N. 1979. Insetos no folclore. SP, Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas. Poema publicado em livro em 1964.

18 dezembro 2025

Bucolismo

Sânzio de Azevedo

Uma garça voa:
delírio branco de lírio
sobre uma lagoa.

Fonte: Horta, A. B. 2016. Do que é feito o poeta. Brasília, Thesaurus. Poema publicado em livro em 1999.

16 dezembro 2025

Natureza morta com perdiz


Willem van Aelst (1627-1683). Stilleven met patrijzen. 1671.

Fonte da foto: Wikipedia.

14 dezembro 2025

Copa do Brasil de Handebol

F. Ponce de León

A segunda das duas partidas entre Cruzeiro e Corinthians pelas semifinais da Copa do Brasil (2025) está prevista para hoje (14/12), às 18h00. A partida será realizada na arena da Caixa Econômica Federal, em São Paulo. O time paulista venceu a primeira partida e agora precisa apenas de um empate para garantir uma vaga nas finais.

Ocorre que a diretoria da CBF não deve se contentar com o empate... A entidade não gostou nem um pouco dos burburinhos que tomaram conta do noticiário futebolístico nos últimos dias. Estou a me referir, especificamente, a um sem número de discussões (naturais ou forçadas, superficiais ou profundas) que trataram do gol irregular que decidiu a primeira partida. (Foi de fato uma partida estranha [e.g., >100 paralisações durante pouco mais de 90 minutos], embora não exatamente pelos motivos que eu levantei em postagem anterior – ver aqui.)

A CBF ‘investigou’ e descobriu que não houve qualquer irregularidade no lance do gol. (É como se diz: larápio que rouba milhões não classifica como débito um desfalque de R$ 1 mil na conta bancária.) Acostumada a tramar às escondidas, a entidade jogou pesado: em sua resposta, evocou a ação de forças ocultas – alegou coisas do tipo: “Não há imagens conclusivas sobre o lance. O que há são imagens falsas, geradas por IA”. Além de patética e vergonhosa, a posição da CBF estimula o malfeito, a malandragem e a deslealdade.

(Imagens transmitidas pela TV Globo, além de imagens da própria CBF, divulgadas posteriormente, já nos dão pistas de que havia fogo atrás daquela fumaça. Eu citaria aqui ao menos três estranhezas: (1) o comportamento do jogador do Corinthians que, envergonhado, apenas empurra a bola para as redes; (2) a queda do goleiro para o lado errado e, em seguida, o alerta (ainda que tímido) do lateral direito do Cruzeiro; e (3) sem recorrer a imagens de terceiros, imagens da própria CBF já mostram que a bola não seguiu a trajetória que lhe foi imposta pela cabeçada e isso ocorreu porque, após a cabeçada, a bola ainda resvalou no braço do jogador que fez o gol.)

Alguém vai ter de pagar o pato por todos esses burburinhos. Razão pela qual eu arrisco dizer que o Cruzeiro será punido na partida de hoje – prevejo que pênaltis e expulsões, ausentes na primeira partida, irão reaparecer neste domingo. É bom ressaltar que a história enfumaçada da CBF sempre contou com a conivência dos seus parceiros – e.g., veículos de imprensa e parlamentares corruptos. No caso do gol irregular do Corinthians, veja o que fez uma grande parcela da imprensa: em vez de denunciar e esclarecer as irregularidades, optou-se por enfumaçar os fatos. O resultado disso é o esperado: (1) semear a dúvida e colher um público confuso e raivoso; e (2) obter ganhos de audiência.

No fim das contas, o Corinthians está com a faca e o queijo na mão, dentro e fora de campo; tem tudo, portanto, para ser finalista da Copa do Brasil de Handebol.

13 dezembro 2025

19 anos e dois meses no ar

F. Ponce de León

Ontem, 12/12, o Poesia Contra a Guerra completou 19 anos e dois meses no ar.

Desde o balanço anterior – ‘19 anos e um mês no ar’ – foram publicados aqui pela primeira vez textos dos seguintes autores: Adelita Aparecida Sartori Paoli, Alfreda William Thames, Célia Massa Beltrati, Lewis Terman, Martinho Lutero, Stanley Schachter, Stevie Nicks e William K. Clifford. Além de material de autores que já haviam sido publicados antes.

Cabe ainda registrar a publicação de imagens de obras dos seguintes artistas: Hendrick ter Brugghen e Paulus Moreelse.

10 dezembro 2025

Palpite futebolístico

F. Ponce de León

Está prevista para hoje à noite (10/12), no Mineirão, às 21h30, a primeira das duas partidas entre Cruzeiro e Corinthians pelas semifinais da Copa do Brasil. A julgar pelos elencos, pelos técnicos, pelas teorias de jogo, pelas campanhas e, sobretudo, pelas exibições recentes, o time mineiro leva uma ampla vantagem. Se conseguir concretizá-la, é partida para quatro ou cinco golos, como diriam os portugueses. A julgar pelos burburinhos de última hora, porém, o Corinthians pode endurecer. O motivo do meu temor é mais ou menos evidente: há um cheiro do fumaça no ar.

É uma fumaça antiga e conhecida: o time paulista vai entrar em campo com a equipe completa, incluindo o juiz e o VAR. Nessas circunstâncias, o destino do jogo tende a escapar da mão dos jogadores. Ao menos três fatores contribuem para isso. Em primeiro lugar, o VAR costuma anular – mais de uma vez, às vezes! – um gol legítimo feito pela equipe lesada. Como justificativa, pode-se até mesmo buscar alguma (suposta) irregularidade nos três minutos anteriores ao lance do gol. Em segundo lugar, o juiz pode distribuir cartões amarelos para os jogadores do time lesado, culminando então com a expulsão de ao menos um deles. Por fim, o juiz costuma inventar um ou mais pênaltis a favor do time dos favorecidos.

08 dezembro 2025

When I see you again

Stevie Nicks

When I see you again
Will it be the same
When I see you again
Will it be over
When I see you again
Will your great eyes still say

What’s the matter, baby

So she walks slowly down the hall
There are many doors in the hallway
And she stares at the stairs
There are many things to stare at these days
If she sees him again
Will your very best friend (2×)
Have been replaced by some other

What’s the matter, baby

And the dream says I want you
And the dream is gone
So she stays up nights on end
Well, at least there is a dream left

If I see you again
Will it be over
If I see you again
Will it be the same
If I see you again
Will it be over
Again and again
Over and over

Fonte: álbum Tango in the Night (1987), do Fleetwood Mac.

05 dezembro 2025

A ética da crença

William K. Clifford

Um proprietário de navios estava prestes a mandar para o mar um navio de emigrantes. Ele sabia que o navio estava velho, e nem fora muito bem construído; que vira muitos mares e climas, e com frequência necessitava de reparos. Dúvidas de que possivelmente não estivesse em condições de navegar lhe haviam sido sugeridas. Essas dúvidas lhe oprimiam a mente e o deixavam infeliz. Ele chegou a pensar que o navio talvez tivesse de ser totalmente examinado e reequipado, ainda que isso lhe custasse grandes despesas. No entanto, antes que a embarcação partisse, conseguiu superar essas reflexões melancólicas. Disse para si mesmo que o navio passara por muitas viagens e resistira a muitas tempestades em segurança, que era infundado supor que não voltaria a salvo também dessa viagem. Ele confiaria na Providência, que não poderia deixar de proteger todas essas famílias infelizes que estavam abandonando a sua terra natal em busca de dias melhores em outro lugar. Tiraria de sua cabeça todas as suspeitas mesquinhas sobre a honestidade dos construtores e empreiteiros. Dessa forma, ele adquiriu uma convicção sincera e confortável de que o seu navio era totalmente seguro e capaz de resistir às intempéries; assistiu à sua partida de coração leve e cheio de votos bondosos para o sucesso dos exilados naquele que seria o seu estranho novo lar; e embolsou o dinheiro do seguro, quando o navio afundou no meio do oceano, sem contar histórias a ninguém.

O que devemos dizer desse homem? Sem dúvida, o seguinte: que ele foi de fato culpado da morte desses homens. Admite-se que ele acreditava sinceramente nas boas condições de seu navio; mas a sinceridade de sua convicção não o ajuda de modo algum, porque ele não tinha o direito de acreditar na evidência que estava diante de si. Não adquirira a sua opinião conquistando-a honestamente pela investigação paciente, mas reprimindo as suas dúvidas...

Fonte: Sagan, C. 1998 [1996]. O mundo assombrado pelos demônios. SP, Companhia das Letras. Trecho de artigo publicado em 1877.

03 dezembro 2025

Garota no espelho


Paulus Moreelse (1571-1638). Meisje bij een spiegel. 1632.

Fonte da foto: Wikipedia.

02 dezembro 2025

Semente

Célia Massa Beltrati & Adelita Aparecida Sartori Paoli

O termo semente é usado, em geral, para designar o conjunto formado por um esporófito jovem – o embrião (em algum estágio de desenvolvimento) –, um tecido de reserva alimentar – o endosperma (algumas vezes, o perisperma ou parte do próprio embrião) – e um envoltório protetor.

Fonte: Beltrati, C. M. & Paoli, A. A. S. 2003. In: Appezzato-da-Glória, B. & Carmello-Guerreiro, S. M., eds. Anatomia vegetal. Viçosa, Editora UFV.

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